Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

79 – NA IMPRENSA ESCRITA

No passado dia 29 de Março foi publicado no suplemento cultural do Diário de Notícias este artigo, da autoria da arquitecta Cláudia Melo.

Em caminho pela web (de Espanha ao Arizona), demos com outros dois artigos sobre a Casa-em-Arruda publicados em blogs de arquitectura: Judit Bellostes Arquitectura e Materialicious

Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

78 - As matérias, os processos e as vontades

artigo gentilmente cedido pela autora - amiga - para publicação neste blog

Apenas poucas semanas após a conclusão da obra, não é o primeiro e não será o último artigo sobre a Casa de Arruda, projectada pelos arquitectos do Plano B.

A arquitectura não é uma arte porque tem uma finalidade útil - disse há poucos dias em plena cinemateca o realizador Manuel de Oliveira. Uma quase centena de anos para quase duas centenas de estudantes de arquitectura. Se não é uma arte, é um ofício. E com mais ênfase se o pode dizer depois de conhecer o processo que ergueu a Casa de Arruda.

Os arquitectos do Plano B levam como estandarte a sua, e nossa, condição pós-industrial. A ecologia de verde passou a madura e caiu por terra. Ficou a árvore despida à procura da essência da arquitectura e fez-se da Casa de Arruda um protótipo da Arquitectura como ofício. Arquitectura que cumpre uma finalidade útil com os recursos justos e necessários e que, como nos filmes do realizador, encontra o que já lá está.

Arquitectura que experimenta tudo o que o Meio nos dá: as matérias, os processos, as vontades. Uma conversa de alguém que se senta à mesa com um desconhecido e discute o que pode ser uma casa, usando a discussão para o descobrir.

Não é outra a função da arquitectura: descobrir as matérias, os processos e as vontades que existem e delas fazer edifícios. Fê-lo a arquitectura pré-industrial, a industrial e a pós-industrial. Não é necessária a bandeira da ecologia para o fazer. Nem a bandeira pós-industrial. Não haveria Casa de Arruda sem sol poente a escorregar pela sala nem haveria Casa de Arruda sem se trazer pelas vinhas aquele grande vidro que delas nos separa.

Podia-se falar de contexto, de impacte ambiental, de térmica, de neutralidade espacial, de proporção geométrica, de modulação. Mas pensa-se em ecologia e pós-industrialização. A pressão dos paradigmas num ansiado momento de transição. E afinal não é de paradigmas que se trata mas de arquitectura de artesãos.

Os arquitectos e o cliente, na sua postura de partilha entre si e com a comunidade, não foram senão artesãos de um bem necessário que, como um sapato muito bem feito, exibe o que foi empregue para que se tenha tornado um bom sapato, quente e confortável, resistente e flexível, ajustado e elegante, e útil para caminhar. Expõe as matérias, os processos e as vontades disponíveis e necessárias.

Artesãos de um bem maior – o arquétipo da casa útil para se habitar – os arquitectos e o cliente fizeram da conversa à roda da mesa algo sólido e que não se dissolve no ar: um exemplo de como intervir no território e na comunidade com tudo o que cá está e para que não se acabe, mas sem que se reduza à monótona perpetuação.

J. Mourão

Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

77 - FIM DE FESTA

Foto tirada pelo meu amigo João Veríssimo no final do dia da festa.

Sexta-feira, 21 de Março de 2008

Adiafa

Adiafa: do árabe ad-diafa «hospitalidade; banquete»; regionalismo (Alentejo): refeição que se dá aos trabalhadores no fim de um trabalho.


Foi uma festa com mais de 80 participantes e boa disposição. Vieram os empreiteiros Faria, os serralheiros, os donos e trabalhadores da loja de materiais na Arruda de que fomos clientes, os arquitectos do Plano B, muitos voluntários, família e amigos. Infelizmente não puderam vir o Sr. José e o Sr. Paulo, que continuaram a obra a partir do Verão. A comida veio da cozinha da Casa de Protecção e Amparo de Santo António - instituição de apoio a grávidas carenciadas que financia parte das suas actividades com os seus serviços de cozinha.

O tempo ajudou e foi uma tarde de Sábado bem passada. Uma boa maneira de celebrar a conclusão dos trabalhos. Uma oportunidade, também, para eu, dono da obra, agradecer a muitos dos trabalhadores, técnicos e voluntários, que tornaram este projecto realidade.

Deixo algumas fotos do dia, tiradas por várias mãos.














Adiafa: from the arab ad-diafa «hospitality; banquet»; portuguese term from Alentejo meaning meal served to the labourers at the end of a job.

More than 80 people came to the party. The weather helped and it was a relaxed, enjoyable sunny Saturday afternoon. A good way to celebrate a job well done and an opportunity for me, the owner, to thank some of the many workers, technicians and volunteers that helped make this project real.

Quarta-feira, 19 de Março de 2008

76 - SELANTE NO PAVIMENTO

Nas vésperas da festa ainda andávamos às voltas com o acabamento final do pavimento.
A betonilha afagada com o endurecedor de quartzo (ver post 66) conferiu ao chão rigidez e continuidade mas deixou uma superfície absorvente a líquidos, óleos e acumuladora de pó – desadequada ao habitar portanto.
Havia necessidade de selar o pavimento. Das diversas soluções disponíveis no mercado (de base epoxi – não resistente aos UV’s, de poliuretano – muito resistente mas caríssima) optámos por uma resina acrílica – menos duradoura ao desgaste mas que não amarelece quando exposta aos raios UV’s.

Sexta-feira, 14 de Março de 2008

Nota Pessoal 21 - Aperitivo

Personal Note 21 - Appetizer

A festarola é amanhã. A casa será a estrela, mas o terreno à volta também tem as suas qualidades. Deixo-vos com um vídeo com som (1 minuto) que fiz ontem às 13h com a maquineta fotográfica, sentado nas traseiras da casa, com um casal de águias-de-asa redonda (Buteo buteo) como companhia. Os carvalho-cerquinho (Quercus faginea) - a maioria das árvores que se vão vendo no vídeo - têm a nova folhagem a, literalmente, rebentar as gemas de invernação. Estamos a uma semana da Primavera.


video


The party is tomorrow. The house will be the star, but the land around it has its qualities too. Here is a video with sound (1 minute) recorded yesterday at 1 pm with my small digital camera, while sitting at the back of the house, with a pair of buzzards (Buteo buteo) for company. The Portuguese oaks (Quercus faginea) - most of the trees one can see in the video - have their new foliage
, literally, bursting out of the winter buds. Spring is one week away.

Terça-feira, 4 de Março de 2008

Festa na Casa em Arruda-dos-Vinhos

Party at House in Arruda-dos-Vinhos

15 de Março de 2008 a partir das 15H00
15th of March 2008 from 15H00



A construção da Casa em Arruda-dos-Vinhos está pronta! A hora, agora, é de festejar o feito.

Por isso - finalmente! - queríamos - os arquitectos do Plano B e eu, Pedro Lérias - convidar todos os que nos ajudaram a levar a bom termo este projecto a revisitar a casa - ou a visitá-la pela primeira vez! - e a celebrar connosco a sua conclusão.

Vamos organizar uma pequena festa, com direito a comes e bebes e muita confraternização, para marcar a, há muito esperada, finalização da obra.

Há, em especial, lugar marcado para todos os voluntários que durante o Verão participaram no enchimento das paredes. Tentaremos convidar individualmente todos os voluntários mas, como o organização pode (!) falhar, pedimos que, se não forem contactados até dia 8 de Março, percam a inibição e entrem em contacto connosco! Esta festa tem um lugar de honra para todos vós!

Para que haja comes e bebes para todos ao longo da tarde - e, quiça, pela noite dentro! - pedimos que confirmem a vossa presença para os seguintes contactos: Francisco Freire 936505361, Pedro Lérias 931640995 ou para arrudacasa@gmail.com

E obrigado,
Shay, pela desenho dos convites! São os dois do meu agrado e não consegui escolher!


Já que deram uma mão a construir, venham dar uma mão a celebrar!



The building of the House in Arruda-dos-Vinhos is finnished! The time, now, is to celebrate.

Therefore - finally! - we would like - the architects of Plano B and I, Pedro Lérias - to invite all who helped carry this project to a safe harbour to re-visit the house - or visit it for the first time! - and celebrate with us its conclusion.

We are organizing a small party, with some drink and food and much socializing, to mark the much awaited finnishing of the house.

There is a special place at the party for all the summer volunteers that helped fill the walls with daub. We will try to reach all the volunteers individually but, since we have been known to fail (!), we ask that if you are not contacted by the 8th of March to get in touch with us! This party has a special place of honour for all of you!

To ensure food and drink for all lasts all afternoon - and maybe even through the night! - we ask you to confirm your presence to the following contacts: Francisco Freire 936505361, Pedro Lérias 931640995 or to arrudacasa@gmail.com

And thank you, Shay, for designing the invitations! They were both really nice and I couldn't decide between them!

You gave a hand to build, so come give a hand celebrating!

Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008

Nota Pessoal 20 - A espreitar pelo buraco da fechadura

Personal Note 20 - Looking through the door viewers



Eis a vista de dentro da casa para fora. Não pelo buraco da fechadura mas pelos óculos do portão de trás e do portão da frente. Só falta passar um barquinho e o blog diz-vos quantas dioptrias têm de astigmatismo!

Pictures from the inside of the house to the outside. Not through the door locks but using the door viewers in the front and back wood portals. Both pictures together almost look like seing through the opticians' glasses!

Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

75 - OBRA ANIMADA

Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

Nota Pessoal 19 - A Bela e ... a orquídea

Personal Note 19 - The Beauty and ... the orchid

Vem aí a Primavera e a Barlia robertiana, uma orquídea comum na zona e que impressiona pelo tamanho, veio mostrar que à volta da casa a vida continua. Não é rara a orquídea mas não é menos bela por isso.

No final do Inverno, as plantas bulbosas, como esta orquídea, são as primeiras a florir, para aproveitar o máximo de energia solar antes que as copas das árvores se fechem por cima.

Tentámos manter o coberto vegetal em redor da casa o mais intacto possível. É bom ver que não foi em vão!


Spring is coming and Barlia robertiana, a common ground orchid in the area that makes an impression through its size arrived to show that around the house life goes on. It isn't a rare orchid but it's beautifull nevertheless.

At the end of Winter, bulbous plants, such as the pictured orchid, are the first to flower, to make the most of the sun before tree leaves over shadow them.

We tried to keep the vegetation cover around the house as intact as possible. Good to see it wasn't in vain!

Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008

74 - OS GRANDES VIDROS

74 - The big windows



Este interregno (de quase 7 semanas) de trabalhos na casa deveu-se à espera - quase desesperada - pela chegada dos dois vidros grandes do vão principal. Vieram da VitroChaves (empresa filial da multinacional Vitro - de origem Mexicana) e foram montados pela Polivitrium. A razão do atraso (estavam encomendados deste Setembro!), ao que parece, deveu-se à sua quebra na tempera. Tratam-se de dois vidros duplos de grandes dimensões (3.10x2.20m e 3.10x1.10m) compostos - do exterior para o interior da casa - de um vidro temperado de baixa emissividade (Neutralux) com 8mm de espessura, uma caixa de ar de 10 mm, e um vidro laminado (Multipack 55.1) de 11 mm).
Agora, dado este passo importante, estamos em condições de terminar os pequenos trabalhos em falta.
Aproxima-se o fim da obra…

This break in the work at the house (almost 7 weeks) was due to waiting - almost to despair! - for the arrival of the two big window glasses of the front of the house. They came from VitroChaves (a company member of the Mexican multinational Vitro) and were set by Polivitrium. The reason for the delay (they were ordered in September!), so it seems, was a break during tempering of the glasses the first time over. We are talking about large double glasses (3.10x2.20m e 3.10x1.10m) composed - from outside to insidde the house - of a low emission tempered glass (Neutralux) 8 mm thick, a 10 mm air space, and a laminated (Multipack 55.1) glass, 11 mm thick.
Now that this hurdle has been crossed we will finnish all the small jobs pending.
The ending of the building of the house is fast approaching...

Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008

73 - PALAVRAS DA ARQUITECTURA

Pesquisando na internet descobrimos, por acaso mas com agradável surpresa, um extenso artigo sobre a casa de arruda. O sítio é um blog de título ‘PALAVRAS DA ARQUITECTURA, um olhar sobre a arquitectura contemporânea’. Lá são publicados artigos de opinião – de índole mais teórica e bem-haja por isso – que no fim se abrem num fórum público. Ao João Sousa, autor de ‘palavras da arquitectura’, um especial obrigado e reconhecimento pelo cuidado dedicado ao artigo.

Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

Nota Pessoal 18 - A Casa na revista Nova Agricultura

A Confederação Nacional dos Jovens Agricultores de Portugal (CNJ), uma organização com o objectivo de promover e valorizar o mundo rural e os seus trabalhadores, publica a revista trimestral Nova Agricultura. O Presidente da CNJ, Luís Saldanha Miranda, foi um valioso participante nas oficinas de tabique durante o Verão e, generosamente, convidou-nos (arquitectos e dono) a participar num artigo sobre construção sustentável na Nova Agricultura 20. O resultado pode ser visto online, navegando para o número 20 da revista e virando as páginas fazendo uso do rato (clicar na página e, premindo sempre o botão do rato, virar a página arrastando-a para o outro lado).

Fica o nosso agradecimento tardio mas reconhecido pela divulgação do nosso projecto!

Uma pequena correcção ao artigo: a Casa usa a técnica do tabique e não da taipa, como se lê por lapso nas legendas das imagens da casa.

Domingo, 23 de Dezembro de 2007

72 - INTERIOR

72 - The interior


A casa não ficou propriamente habitável para o período das festas. Faltam ainda alguns pormenores mas, sobretudo, faltam dois ‘pormaiores’ – os dois big vidros do alçado principal. Ansiamos a chegada destes para, com a alvorada do novo ano, declararmos oficialmente inaugurada a obra! Entretanto ficam muitas fotos com as últimas novidades em jeito de prendinha do pai natal.

Aos leitores deste blog, votos de bom natal e bom ano. À renovada casa de Arruda, que volte a albergar muitos natais e anos novos daqui para a frente!

ps: sim, a cozinha será vermelha ;-)



The house was not rendered habitable for the festive season. There are still some details to be finnished, none bigger that the large window glasses of the front of the house. We anxiously await their arrival so that, in the dawn of the new year, we declare the house completed! Meanwhile we leave you with several photos with the last advances. See it as a early season gift.

Season Greetings to you all. May the House in Arruda-dos-Vinhos witness many festivities in the future!

Oh, and yes, the kitchen will be bright red! Go figure.

71 - DE NOITE

71 - In the dark

De noite todos os gatos são pardos porque não emitem luz própria. Ora como as casas agora estão ligadas à ficha eléctrica conseguimos fugir da qualidade pardacenta de que padecem os gatos depois do sol cair.
Destarte, a casa irradia uma luz qb através das luminárias dos muretes e pelas luzes fluorescentes que colocámos no interior dos quatro vãos translúcidos, alumiando desta forma quer o interior da casa, quer o exterior.

70 - VIDROS TRANSLÚCIDOS

70 - Translucent Glasses



Com excepção dos dois vãos que se fecham com os portões de madeira, todos os outros (os quatro restantes) funcionam apenas como entrada de luz e ventilação uma vez que a pele de policarbonato os reveste pelo exterior. Para estes quatro casos, escolhemos um vidro translúcido que enchesse o caixilho metálico do interior. Trata-se de um vidro duplo que se compõe de um vidro temperado transparente no lado exterior, e de um vidro laminado foscado a ácido no lado interior.

69 - MURETES

Dos arranjos exteriores fazem parte uma série de ‘elementos construídos’ aos quais temos vindo a chamar Muretes. São todos em betão com tampas metálicas pintadas com a mesma tinta preta usada no restante das serralharias da casa. O betão foi feito pela Socofirma, as serralharias pela Maia Perfil. Eis uma breve descrição das funções de cada um:



MURETES PARA PONTO DE ÁGUA E LUZ
Duas unidades iguais localizadas em extremos opostos do terreno. Contêm uma luminária fluorescente, duas torneiras para rega (uma ligada à rede pública, outra à rede do poço) que despejam água para uma grelha de pavimento ligada à rede de águas pluviais, e ainda alojam no seu interior uma mangueira enrolada.


MURETE DA ENTRADA
Acolhe a entrada das principais infra-estruturas técnicas: electricidade e respectivo contador, água da rede pública e respectivo contador, telecomunicações, para além da caixa do correio e da campainha.

ÁREA TÉCNICA
Não é murete mas é em betão e tem uma tampa metálica e, por isso, tem aqui o seu lugar. O projecto da porta do poço da área técnica foi um parto difícil mas resultou bastante bem. Funciona com duas simples dobradiças e dispõe de uma grelha de ventilação que é uma tomada de ar exterior ligada ao sistema de aquecimento (recuperador de calor).

BANCO (para sentar, não depositar €)
É como que um murete mais comprido e bojudo. Tem duas luminárias fluorescentes nas extremidades e tomadas eléctricas para servir o exterior.

Domingo, 9 de Dezembro de 2007

68 - PINTURAS




NO TECTO - uma solução standard para pladur:
1 demão de primário aquoso CIN-10-600 EP/GC 300
3 demãos de tinta aquosa CIN-10-250 VINYLMATT branca




NO VALCHROMAT - uma receita proposta pelos técnicos da CIN:
4 demãos de verniz aquoso CIN-12-560 BETOCRYL incolor




NA PAREDE - uma resposta adequada ao tabique, permeável ao vapor de água:
1 demão de primário aquoso CIN-10-600 EP/GC 300 diluído com água em 25%
1 demão de tinta aquosa CIN-10-250 VINYLMATT branca diluída com água em 25%


Domingo, 25 de Novembro de 2007

67 - “Com um vestido preto nunca me comprometo”

O nosso habitual esforço uniformizador, enquanto projectistas, não foi levado ao extremo no caso das paredes interiores. Ou seja, o fasqueado de madeira/reboco de cal não preenche a totalidade dos paramentos interiores. Excluem-se as zonas húmidas para as quais não seria, obviamente, uma boa solução.
Aquando do enchimento das paredes com terra, as superfícies da casa de banho e da cozinha foram revestidas de placas de OSB4 com 11 mm de espessura. Agora, e como material de acabamento, aplicámos uma nova placa sobre o OSB. A saber: Valchromat com 8 mm de espessura.
Este aglomerado de partículas de madeira é uma evolução do MDF hidrófugo no sentido de o tornar colorido – factor conseguido pela introdução de fibras da indústria têxtil. A marca Valchromat é representada pela empresa Valbopan/Investwood e fabricada na sua unidade de Famalicão da Nazaré.
As grandes dimensões em que são produzidas as placas (3,75x2,50 m) permitiram-nos revestir cada parede com uma placa apenas. É como se a casa de banho tivesse apenas três azulejos. Não foi sem uma dose de ajuda divina que conseguimos transportar e colocar o maior destes azulejos (entrou pela porta de 60 cm de largura, tornou-se côncavo ao rodar para a outra diagonal da divisão e encaixou-se no sítio como se de um cartão-maquete com 3,30x2,30 metros se tratasse).
O vasto leque de cores disponíveis deixou-nos a nós e ao Pedro-cliente uma decisão a tomar. Durante meses deixámos arrastar a escolha:”gosto do amarelo; não concordo; vermelho é que era; assim nunca relaxarei no wc, ainda tenho um ataque de stress aqui dentro; e azul?; hum…não sei; por mim pode ser qualquer coisa menos verde; o que diz o fengshui?
No fim seguimos as palavras de Ivone Silva e… ficou preto!

Sábado, 10 de Novembro de 2007

66 - PAVIMENTO INDUSTRIAL

Numa construção que parece um armazém, com um portão para entrar o tractor e tudo, o que se espera encontrar no pavimento?
Uma betonilha afagada pois claro!
Escolhemos - um pouco às escuras - um verdadeiro pavimento industrial. Um betão C30, composto de brita fina, areia e cimento, foi misturado na betoneira, transportado em carros de mão até à casa, nivelado e, na altura do afagamento, adicionado de um produto endurecedor cujo rótulo é bem explícito: “indicado para pavimentos sujeitos a tráfego ligeiro, tais como parques de estacionamento e caves, oficinas mecânicas, garagens, indústrias ligeiras, confecções, armazéns e cais de cargas e descargas”.
Agora mais a sério, sempre nos foi obvio que a opção sobre o tipo de pavimento deveria recair sobre uma superfície contínua sem juntas. Um espelho da superfície contínua do tecto por assim dizer. A inércia térmica de um pavimento maciço é também, para o nosso caso, vantajoso já que funciona, tal como as paredes, como acumulador de temperatura.
A massa começou a ser feita às 8h00, pelas 11h00 estava toda nivelada no sítio, às 14h00 já puxava suficientemente para começar o afagamento mas somente pelas 23h00 ficou a ponto de rebuçado. Mais uma jornada contínua a encerrar o valoroso trabalho da Socofirma!



65 - REBOCAR O TABIQUE COM CAL



Aquando do enchimento com terra das nossas paredes de tabique, deixámos aplicado, na sua face interior, um fasqueado de madeira. Estas ripas, de secção trapezoidal, deixaram entre si um espaço – igualmente trapezoidal – destinado ao preenchimento com um reboco, neste caso de cal e areia.
Escolhemos um reboco de cal pelas suas características de permeabilidade ao vapor de água (um factor importante numa parede de terra) e, igualmente, de ductilidade que evite a sua fendilhação (uma vez que todos os suportes são em madeira e consequentemente muito susceptíveis a dilatações e contracções provocadas pelas variantes do clima).
A cal aplicada foi fornecida pela empresa Fradical segundo receita sugerida pelos mesmos: 3 de areia de rio, 1 de cal c/ 15% de aditivo pozolânico.
A execução do reboco foi levada a cabo pelos regressados Farias e Artur da Socofirma.

Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

64 - PORTUGAL NOW

Em jeito de auto promoção fica a informação que o Plano B foi um dos 30 gabinetes portugueses seleccionados para participar na exposição Portugal Now, organizada pela Universidade de Cornell, nos EUA.

"Portugal Now: Country Positions in Architecture and Urbanism is the third in a series of conferences and exhibitions organized by the College of Architecture, Art, and Planning at Cornell University. The series explores some of the most intriguing currents in contemporary architecture, landscape architecture, art, and urbanism in different parts of the globe. Portugal Now will examine examples of emerging contemporary Portuguese architectural practices and how they contend with global political, economic, and social realities."

Seleccionamos para a exposição o projecto da Arruda. Quem der um saltinho a NY por estes dias, por favor envie umas fotos!

Quinta-feira, 1 de Novembro de 2007

63 - INCÊNDIO À PORTA!

Ontem pela tarde bateu-nos à porta a aflição. Uma pilha de mato do terreno vizinho ‘desatou’ a arder! Quando demos pelo incidente já o fumo era uma chaminé espessa, as labaredas muito altas e a temperatura em redor repulsiva.
Chamámos os bombeiros de Arruda pelo 112. O quartel encontra-se a menos de 3 km o que deu tempo para lá irmos e os guiarmos até ao foco de incêndio. Talvez tenham passado 15 minutos desde o alarme até ao começo do combate.
Os soldados da paz foram, é claro, bem sucedidos! Afinal, apesar do tempo estar anormalmente solarengo e seco, já não estamos no Verão, e o fogo não se propagou.
De qualquer modo os carvalhos que envolvem a casa sentiram bem o calor e o fumo e nós, apesar de conscientes há muito de todos estes riscos ‘pirotécnicos’, passámos do susto ao alívio em menos de um quarto de hora. Resultado: cautelas ainda maiores estão a ser levadas a cabo.

Sábado, 27 de Outubro de 2007

62 - TECTO



Após duas semanas de ausência de novidades no blog de Arruda eis que elas regressam sob a forma de duas fotografias da aplicação do tecto falso em gesso cartonado. Os trabalhos, apesar de algo arrastados, têm corrido de feição. São tempos de pormenorização e acabamentos pouco espectaculares – para relatos online – mas essenciais para o garante da qualidade final da obra.

Domingo, 14 de Outubro de 2007

61 - COBERTURA



Esta semana (de clima estupendamente favorável) foi passada a terminar a cobertura.
Desde o post OSB NA COBERTURA (datado de há mais de dois meses) os diversos trabalhos à frente descritos foram sendo executados, conforme a necessidade e a oportunidade, tendo sido apenas agora culminados.

Sobre a camada de OSB (com pendente de 4%) foi aplicada uma solução standard de cobertura invertida baseada nos produtos da Imperalum:
Passo 1 - Duas demãos de Flintkote em pasta foi barrado no OSB.
Passo 2 – Duas camadas cruzadas de telas asfálticas (Polyplas30 e Polyster40) foram seladas a quente uma à outra e ao Flintkote.
Passo 3 – Como isolamento térmico foram aplicadas placas de poliestireno extrudido Roofmate SL-A da marca Dow com 5cm de espessura.
Passo 4 – Finalmente, como revestimento exterior, executou-se um soalho ‘em deck’ montado sobre uma estrutura de chapa galvanizada quinada assente sobre o poliestireno.

Este tabuado de madeira tem uma história curiosa uma vez que se trata de um material reciclado. Ele é proveniente de um projecto efémero que o Plano B construiu em 2004 para a Feira Terra Sã no Centro de Congressos de Lisboa e que se chamou ECO-CASA (disponível no site www.planob.com).

Após um estágio de 3 anos em armazém, esta madeira vulgaríssima (pinho de cofragem) foi embebida de Borax-Solubor para a proteger dos insectos xilófagos e pincelada com duas demãos de uma velatura (Bondex acetinado) que a torna relativamente impermeável à água e aos agentes fungicidas (pelo menos até à próxima demão – que se quer bienal).

A ECO-CASA foi um espaço de palestras sobre o significado contemporâneo deste prefixo ECO relacionado com a habitação, a construção, a sociedade. Quem hoje pisar o deck da casa de Arruda pode procurar vestígios desse debate impregnados no sobrado.


Domingo, 7 de Outubro de 2007

60 - AS PELES EXTERIORES


O revestimento exterior das paredes é partilhado por dois materiais distintos: madeira e policarbonato.

A madeira reveste os portões e o policarbonato envolve o restante das paredes.
A madeira é Pinho e o policarbonato é alveolar ondulado - Thermonda.
A madeira veio de Ourém e o policarbonato veio de Itália.
A madeira foi serrada na Madol e o policarbonato foi produzido pela Polyu.
A madeira foi aparelhada em Arruda e o policarbonato foi importado pela Cimianto.
A madeira é opaca e o policarbonato é translúcido.
A madeira é um material natural e o policarbonato é um material industrial.


Terça-feira, 2 de Outubro de 2007

59 - FOTOS DE MANHÃ, DE TARDE E DE PERTO







Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007

Nota Pessoal 17 - Grampos

Personal Note 17 - Clamps



O grampo é uma das ferramentas essenciais em trabalhos de carpintaria. Permitem fixar temporariamente uma peça de madeira numa posição e