Terça-feira, 30 de Junho de 2009

85 - NO PORTAL CONSTRULINK

O sítio construlink.com é um portal de conteúdos técnicos ligados à área da engenharia, arquitectura e construção civil. A Casa em Arruda dos Vinhos é o projecto exibido esta semana na rubrica “Destaque Arquitectura”, o projecto nº 181 da lista. Mensalmente editam a também a Draft, uma magazine digital, cujo número 38 - Junho 2009 contém igualmente uma reportagem sobre a Casa em Arruda.


Domingo, 14 de Junho de 2009

Amigos à espera do almoço

Friends waiting for lunch



Painel da autoria de Shay Karniel.
Artwork by Shay karniel.

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Ao pôr do sol

At sunset

Sábado, 6 de Junho de 2009

84 - Na ARQ/A 69


O número 69 da revista portuguesa de arquitectura e arte ARQ/A publica o projecto da Casa em Arruda dos Vinhos .

MEDIAÇÕES TECNOLÓGICAS, Entre o mundo físico e o campo digital” é o tema explorado neste número.

No editorial, Luís Santiago Batista dá o mote citando Mies van der Rohe que, em 1950, afirmava: ”a tecnologia é muito mais do que um método, é um mundo em si.”

Para o final, o director da ARQ/A justifica a escolha dos projectos (Neutelings Riedijk - Instituto Holandês de Som e Imagem, Shuhei Endo - Casa "Bubbletecture", Ensamble Studio - Casa Hemeroscopium, Ventura Trindade - EBG - Estação Biológica do Garducho, FARE - Centro de Bem-Estar para Mulheres, Xefirotarch - Instalação "Sur", Oyler Wu - Instalação "Live Wire" , Electroland - Instalação "Target Breezeway Space") e sobre a Casa da Arruda diz:

“No âmbito das abordagens mais Low-Tech, o equipamento de saúde do FARE e o pavilhão do Plano B demonstram que a utilização da tecnologia pode ser uma questão de negociação criativa e eficiente dos meios e recursos disponíveis.”

Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

83 - EYE CANDY


Mais um amplo post publicado sobre a Casa em Arruda e novamente num blog vindo dos EUA. Eye Candy é produzido por Eric em Kansas City.

Domingo, 30 de Novembro de 2008

82 - eartharchitecture.org


A página de internet EARTH ARCHITECTURE destaca a arquitectura construída com terra nas suas diferentes técnicas, promove o debate, difusão de eventos, informação e imagens de arquitectura de terra, no contexto da cultura da arquitectura contemporânea.

Na sua última actualização, Ronald Rael, arquitecto e criador da página, apresenta o projecto da Casa em Arruda a um público ainda mais vasto.

Terça-feira, 28 de Outubro de 2008

81 - NA BARRIGA DE UM ARQUITECTO

81 - In the belly of an architect

A Casa em Arruda chegou ao mais destacado blog português de arquitectura – A BARRIGA DE UM ARQUITECTO de Daniel Carrapa – num extenso post pelo qual agradecemos ao autor.

The House in Arruda made it to the highly regarded portuguese blog about architecture 'the belly of an architect' by Daniel Carrapa - in an extensive post for which we are thankful to the author.

Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

80 - FOTOGRAFIAS AO LONGO DO DIA

80 - Photographs along the day

No passado dia 21 de Março, o primeiro dia da Primavera 2008, a casa foi objecto de sessão fotográfica quase profissional. As fotos são da autoria da Sandra Pereira, também arquitecta e nossa “fotógrafa oficial”. A sessão decorreu desde a manhã até à noite, e é por esta ordem que se apresentam as imagens.

On the 21st of March, the beginning of Spring 2008, the house was the subject of a quasi professional photo shoot. The photos were taken by Sandra Pereira, a fellow architect and our "oficial photographer". The photos were taken from morning until evening, and we show the photos as they were taken along the day.
























































Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

79 – NA IMPRENSA ESCRITA

No passado dia 29 de Março foi publicado no suplemento cultural do Diário de Notícias este artigo, da autoria da arquitecta Cláudia Melo.

Em caminho pela web (de Espanha ao Arizona), demos com outros dois artigos sobre a Casa-em-Arruda publicados em blogs de arquitectura: Judit Bellostes Arquitectura e Materialicious

Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

78 - As matérias, os processos e as vontades

artigo gentilmente cedido pela autora - amiga - para publicação neste blog

Apenas poucas semanas após a conclusão da obra, não é o primeiro e não será o último artigo sobre a Casa de Arruda, projectada pelos arquitectos do Plano B.

A arquitectura não é uma arte porque tem uma finalidade útil - disse há poucos dias em plena cinemateca o realizador Manuel de Oliveira. Uma quase centena de anos para quase duas centenas de estudantes de arquitectura. Se não é uma arte, é um ofício. E com mais ênfase se o pode dizer depois de conhecer o processo que ergueu a Casa de Arruda.

Os arquitectos do Plano B levam como estandarte a sua, e nossa, condição pós-industrial. A ecologia de verde passou a madura e caiu por terra. Ficou a árvore despida à procura da essência da arquitectura e fez-se da Casa de Arruda um protótipo da Arquitectura como ofício. Arquitectura que cumpre uma finalidade útil com os recursos justos e necessários e que, como nos filmes do realizador, encontra o que já lá está.

Arquitectura que experimenta tudo o que o Meio nos dá: as matérias, os processos, as vontades. Uma conversa de alguém que se senta à mesa com um desconhecido e discute o que pode ser uma casa, usando a discussão para o descobrir.

Não é outra a função da arquitectura: descobrir as matérias, os processos e as vontades que existem e delas fazer edifícios. Fê-lo a arquitectura pré-industrial, a industrial e a pós-industrial. Não é necessária a bandeira da ecologia para o fazer. Nem a bandeira pós-industrial. Não haveria Casa de Arruda sem sol poente a escorregar pela sala nem haveria Casa de Arruda sem se trazer pelas vinhas aquele grande vidro que delas nos separa.

Podia-se falar de contexto, de impacte ambiental, de térmica, de neutralidade espacial, de proporção geométrica, de modulação. Mas pensa-se em ecologia e pós-industrialização. A pressão dos paradigmas num ansiado momento de transição. E afinal não é de paradigmas que se trata mas de arquitectura de artesãos.

Os arquitectos e o cliente, na sua postura de partilha entre si e com a comunidade, não foram senão artesãos de um bem necessário que, como um sapato muito bem feito, exibe o que foi empregue para que se tenha tornado um bom sapato, quente e confortável, resistente e flexível, ajustado e elegante, e útil para caminhar. Expõe as matérias, os processos e as vontades disponíveis e necessárias.

Artesãos de um bem maior – o arquétipo da casa útil para se habitar – os arquitectos e o cliente fizeram da conversa à roda da mesa algo sólido e que não se dissolve no ar: um exemplo de como intervir no território e na comunidade com tudo o que cá está e para que não se acabe, mas sem que se reduza à monótona perpetuação.

J. Mourão

Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

77 - FIM DE FESTA

Foto tirada pelo meu amigo João Veríssimo no final do dia da festa.

Sexta-feira, 21 de Março de 2008

Adiafa

Adiafa: do árabe ad-diafa «hospitalidade; banquete»; regionalismo (Alentejo): refeição que se dá aos trabalhadores no fim de um trabalho.


Foi uma festa com mais de 80 participantes e boa disposição. Vieram os empreiteiros Faria, os serralheiros, os donos e trabalhadores da loja de materiais na Arruda de que fomos clientes, os arquitectos do Plano B, muitos voluntários, família e amigos. Infelizmente não puderam vir o Sr. José e o Sr. Paulo, que continuaram a obra a partir do Verão. A comida veio da cozinha da Casa de Protecção e Amparo de Santo António - instituição de apoio a grávidas carenciadas que financia parte das suas actividades com os seus serviços de cozinha.

O tempo ajudou e foi uma tarde de Sábado bem passada. Uma boa maneira de celebrar a conclusão dos trabalhos. Uma oportunidade, também, para eu, dono da obra, agradecer a muitos dos trabalhadores, técnicos e voluntários, que tornaram este projecto realidade.

Deixo algumas fotos do dia, tiradas por várias mãos.














Adiafa: from the arab ad-diafa «hospitality; banquet»; portuguese term from Alentejo meaning meal served to the labourers at the end of a job.

More than 80 people came to the party. The weather helped and it was a relaxed, enjoyable sunny Saturday afternoon. A good way to celebrate a job well done and an opportunity for me, the owner, to thank some of the many workers, technicians and volunteers that helped make this project real.

Quarta-feira, 19 de Março de 2008

76 - SELANTE NO PAVIMENTO

Nas vésperas da festa ainda andávamos às voltas com o acabamento final do pavimento.
A betonilha afagada com o endurecedor de quartzo (ver post 66) conferiu ao chão rigidez e continuidade mas deixou uma superfície absorvente a líquidos, óleos e acumuladora de pó – desadequada ao habitar portanto.
Havia necessidade de selar o pavimento. Das diversas soluções disponíveis no mercado (de base epoxi – não resistente aos UV’s, de poliuretano – muito resistente mas caríssima) optámos por uma resina acrílica – menos duradoura ao desgaste mas que não amarelece quando exposta aos raios UV’s.

Sexta-feira, 14 de Março de 2008

Nota Pessoal 21 - Aperitivo

Personal Note 21 - Appetizer

A festarola é amanhã. A casa será a estrela, mas o terreno à volta também tem as suas qualidades. Deixo-vos com um vídeo com som (1 minuto) que fiz ontem às 13h com a maquineta fotográfica, sentado nas traseiras da casa, com um casal de águias-de-asa redonda (Buteo buteo) como companhia. Os carvalho-cerquinho (Quercus faginea) - a maioria das árvores que se vão vendo no vídeo - têm a nova folhagem a, literalmente, rebentar as gemas de invernação. Estamos a uma semana da Primavera.


video


The party is tomorrow. The house will be the star, but the land around it has its qualities too. Here is a video with sound (1 minute) recorded yesterday at 1 pm with my small digital camera, while sitting at the back of the house, with a pair of buzzards (Buteo buteo) for company. The Portuguese oaks (Quercus faginea) - most of the trees one can see in the video - have their new foliage
, literally, bursting out of the winter buds. Spring is one week away.

Terça-feira, 4 de Março de 2008

Festa na Casa em Arruda-dos-Vinhos

Party at House in Arruda-dos-Vinhos

15 de Março de 2008 a partir das 15H00
15th of March 2008 from 15H00



A construção da Casa em Arruda-dos-Vinhos está pronta! A hora, agora, é de festejar o feito.

Por isso - finalmente! - queríamos - os arquitectos do Plano B e eu, Pedro Lérias - convidar todos os que nos ajudaram a levar a bom termo este projecto a revisitar a casa - ou a visitá-la pela primeira vez! - e a celebrar connosco a sua conclusão.

Vamos organizar uma pequena festa, com direito a comes e bebes e muita confraternização, para marcar a, há muito esperada, finalização da obra.

Há, em especial, lugar marcado para todos os voluntários que durante o Verão participaram no enchimento das paredes. Tentaremos convidar individualmente todos os voluntários mas, como o organização pode (!) falhar, pedimos que, se não forem contactados até dia 8 de Março, percam a inibição e entrem em contacto connosco! Esta festa tem um lugar de honra para todos vós!

Para que haja comes e bebes para todos ao longo da tarde - e, quiça, pela noite dentro! - pedimos que confirmem a vossa presença para os seguintes contactos: Francisco Freire 936505361, Pedro Lérias 931640995 ou para arrudacasa@gmail.com

E obrigado,
Shay, pela desenho dos convites! São os dois do meu agrado e não consegui escolher!


Já que deram uma mão a construir, venham dar uma mão a celebrar!



The building of the House in Arruda-dos-Vinhos is finnished! The time, now, is to celebrate.

Therefore - finally! - we would like - the architects of Plano B and I, Pedro Lérias - to invite all who helped carry this project to a safe harbour to re-visit the house - or visit it for the first time! - and celebrate with us its conclusion.

We are organizing a small party, with some drink and food and much socializing, to mark the much awaited finnishing of the house.

There is a special place at the party for all the summer volunteers that helped fill the walls with daub. We will try to reach all the volunteers individually but, since we have been known to fail (!), we ask that if you are not contacted by the 8th of March to get in touch with us! This party has a special place of honour for all of you!

To ensure food and drink for all lasts all afternoon - and maybe even through the night! - we ask you to confirm your presence to the following contacts: Francisco Freire 936505361, Pedro Lérias 931640995 or to arrudacasa@gmail.com

And thank you, Shay, for designing the invitations! They were both really nice and I couldn't decide between them!

You gave a hand to build, so come give a hand celebrating!

Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008

Nota Pessoal 20 - A espreitar pelo buraco da fechadura

Personal Note 20 - Looking through the door viewers



Eis a vista de dentro da casa para fora. Não pelo buraco da fechadura mas pelos óculos do portão de trás e do portão da frente. Só falta passar um barquinho e o blog diz-vos quantas dioptrias têm de astigmatismo!

Pictures from the inside of the house to the outside. Not through the door locks but using the door viewers in the front and back wood portals. Both pictures together almost look like seing through the opticians' glasses!

Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

75 - OBRA ANIMADA

Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

Nota Pessoal 19 - A Bela e ... a orquídea

Personal Note 19 - The Beauty and ... the orchid

Vem aí a Primavera e a Barlia robertiana, uma orquídea comum na zona e que impressiona pelo tamanho, veio mostrar que à volta da casa a vida continua. Não é rara a orquídea mas não é menos bela por isso.

No final do Inverno, as plantas bulbosas, como esta orquídea, são as primeiras a florir, para aproveitar o máximo de energia solar antes que as copas das árvores se fechem por cima.

Tentámos manter o coberto vegetal em redor da casa o mais intacto possível. É bom ver que não foi em vão!


Spring is coming and Barlia robertiana, a common ground orchid in the area that makes an impression through its size arrived to show that around the house life goes on. It isn't a rare orchid but it's beautifull nevertheless.

At the end of Winter, bulbous plants, such as the pictured orchid, are the first to flower, to make the most of the sun before tree leaves over shadow them.

We tried to keep the vegetation cover around the house as intact as possible. Good to see it wasn't in vain!

Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008

74 - OS GRANDES VIDROS

74 - The big windows



Este interregno (de quase 7 semanas) de trabalhos na casa deveu-se à espera - quase desesperada - pela chegada dos dois vidros grandes do vão principal. Vieram da VitroChaves (empresa filial da multinacional Vitro - de origem Mexicana) e foram montados pela Polivitrium. A razão do atraso (estavam encomendados deste Setembro!), ao que parece, deveu-se à sua quebra na tempera. Tratam-se de dois vidros duplos de grandes dimensões (3.10x2.20m e 3.10x1.10m) compostos - do exterior para o interior da casa - de um vidro temperado de baixa emissividade (Neutralux) com 8mm de espessura, uma caixa de ar de 10 mm, e um vidro laminado (Multipack 55.1) de 11 mm).
Agora, dado este passo importante, estamos em condições de terminar os pequenos trabalhos em falta.
Aproxima-se o fim da obra…

This break in the work at the house (almost 7 weeks) was due to waiting - almost to despair! - for the arrival of the two big window glasses of the front of the house. They came from VitroChaves (a company member of the Mexican multinational Vitro) and were set by Polivitrium. The reason for the delay (they were ordered in September!), so it seems, was a break during tempering of the glasses the first time over. We are talking about large double glasses (3.10x2.20m e 3.10x1.10m) composed - from outside to insidde the house - of a low emission tempered glass (Neutralux) 8 mm thick, a 10 mm air space, and a laminated (Multipack 55.1) glass, 11 mm thick.
Now that this hurdle has been crossed we will finnish all the small jobs pending.
The ending of the building of the house is fast approaching...

Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008

73 - PALAVRAS DA ARQUITECTURA

Pesquisando na internet descobrimos, por acaso mas com agradável surpresa, um extenso artigo sobre a casa de arruda. O sítio é um blog de título ‘PALAVRAS DA ARQUITECTURA, um olhar sobre a arquitectura contemporânea’. Lá são publicados artigos de opinião – de índole mais teórica e bem-haja por isso – que no fim se abrem num fórum público. Ao João Sousa, autor de ‘palavras da arquitectura’, um especial obrigado e reconhecimento pelo cuidado dedicado ao artigo.

Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

Nota Pessoal 18 - A Casa na revista Nova Agricultura

A Confederação Nacional dos Jovens Agricultores de Portugal (CNJ), uma organização com o objectivo de promover e valorizar o mundo rural e os seus trabalhadores, publica a revista trimestral Nova Agricultura. O Presidente da CNJ, Luís Saldanha Miranda, foi um valioso participante nas oficinas de tabique durante o Verão e, generosamente, convidou-nos (arquitectos e dono) a participar num artigo sobre construção sustentável na Nova Agricultura 20. O resultado pode ser visto online, navegando para o número 20 da revista e virando as páginas fazendo uso do rato (clicar na página e, premindo sempre o botão do rato, virar a página arrastando-a para o outro lado).

Fica o nosso agradecimento tardio mas reconhecido pela divulgação do nosso projecto!

Uma pequena correcção ao artigo: a Casa usa a técnica do tabique e não da taipa, como se lê por lapso nas legendas das imagens da casa.

Domingo, 23 de Dezembro de 2007

72 - INTERIOR

72 - The interior


A casa não ficou propriamente habitável para o período das festas. Faltam ainda alguns pormenores mas, sobretudo, faltam dois ‘pormaiores’ – os dois big vidros do alçado principal. Ansiamos a chegada destes para, com a alvorada do novo ano, declararmos oficialmente inaugurada a obra! Entretanto ficam muitas fotos com as últimas novidades em jeito de prendinha do pai natal.

Aos leitores deste blog, votos de bom natal e bom ano. À renovada casa de Arruda, que volte a albergar muitos natais e anos novos daqui para a frente!

ps: sim, a cozinha será vermelha ;-)



The house was not rendered habitable for the festive season. There are still some details to be finnished, none bigger that the large window glasses of the front of the house. We anxiously await their arrival so that, in the dawn of the new year, we declare the house completed! Meanwhile we leave you with several photos with the last advances. See it as a early season gift.

Season Greetings to you all. May the House in Arruda-dos-Vinhos witness many festivities in the future!

Oh, and yes, the kitchen will be bright red! Go figure.

71 - DE NOITE

71 - In the dark

De noite todos os gatos são pardos porque não emitem luz própria. Ora como as casas agora estão ligadas à ficha eléctrica conseguimos fugir da qualidade pardacenta de que padecem os gatos depois do sol cair.
Destarte, a casa irradia uma luz qb através das luminárias dos muretes e pelas luzes fluorescentes que colocámos no interior dos quatro vãos translúcidos, alumiando desta forma quer o interior da casa, quer o exterior.

70 - VIDROS TRANSLÚCIDOS

70 - Translucent Glasses



Com excepção dos dois vãos que se fecham com os portões de madeira, todos os outros (os quatro restantes) funcionam apenas como entrada de luz e ventilação uma vez que a pele de policarbonato os reveste pelo exterior. Para estes quatro casos, escolhemos um vidro translúcido que enchesse o caixilho metálico do interior. Trata-se de um vidro duplo que se compõe de um vidro temperado transparente no lado exterior, e de um vidro laminado foscado a ácido no lado interior.

69 - MURETES

Dos arranjos exteriores fazem parte uma série de ‘elementos construídos’ aos quais temos vindo a chamar Muretes. São todos em betão com tampas metálicas pintadas com a mesma tinta preta usada no restante das serralharias da casa. O betão foi feito pela Socofirma, as serralharias pela Maia Perfil. Eis uma breve descrição das funções de cada um:



MURETES PARA PONTO DE ÁGUA E LUZ
Duas unidades iguais localizadas em extremos opostos do terreno. Contêm uma luminária fluorescente, duas torneiras para rega (uma ligada à rede pública, outra à rede do poço) que despejam água para uma grelha de pavimento ligada à rede de águas pluviais, e ainda alojam no seu interior uma mangueira enrolada.


MURETE DA ENTRADA
Acolhe a entrada das principais infra-estruturas técnicas: electricidade e respectivo contador, água da rede pública e respectivo contador, telecomunicações, para além da caixa do correio e da campainha.

ÁREA TÉCNICA
Não é murete mas é em betão e tem uma tampa metálica e, por isso, tem aqui o seu lugar. O projecto da porta do poço da área técnica foi um parto difícil mas resultou bastante bem. Funciona com duas simples dobradiças e dispõe de uma grelha de ventilação que é uma tomada de ar exterior ligada ao sistema de aquecimento (recuperador de calor).

BANCO (para sentar, não depositar €)
É como que um murete mais comprido e bojudo. Tem duas luminárias fluorescentes nas extremidades e tomadas eléctricas para servir o exterior.

Domingo, 9 de Dezembro de 2007

68 - PINTURAS




NO TECTO - uma solução standard para pladur:
1 demão de primário aquoso CIN-10-600 EP/GC 300
3 demãos de tinta aquosa CIN-10-250 VINYLMATT branca




NO VALCHROMAT - uma receita proposta pelos técnicos da CIN:
4 demãos de verniz aquoso CIN-12-560 BETOCRYL incolor




NA PAREDE - uma resposta adequada ao tabique, permeável ao vapor de água:
1 demão de primário aquoso CIN-10-600 EP/GC 300 diluído com água em 25%
1 demão de tinta aquosa CIN-10-250 VINYLMATT branca diluída com água em 25%


Domingo, 25 de Novembro de 2007

67 - “Com um vestido preto nunca me comprometo”

O nosso habitual esforço uniformizador, enquanto projectistas, não foi levado ao extremo no caso das paredes interiores. Ou seja, o fasqueado de madeira/reboco de cal não preenche a totalidade dos paramentos interiores. Excluem-se as zonas húmidas para as quais não seria, obviamente, uma boa solução.
Aquando do enchimento das paredes com terra, as superfícies da casa de banho e da cozinha foram revestidas de placas de OSB4 com 11 mm de espessura. Agora, e como material de acabamento, aplicámos uma nova placa sobre o OSB. A saber: Valchromat com 8 mm de espessura.
Este aglomerado de partículas de madeira é uma evolução do MDF hidrófugo no sentido de o tornar colorido – factor conseguido pela introdução de fibras da indústria têxtil. A marca Valchromat é representada pela empresa Valbopan/Investwood e fabricada na sua unidade de Famalicão da Nazaré.
As grandes dimensões em que são produzidas as placas (3,75x2,50 m) permitiram-nos revestir cada parede com uma placa apenas. É como se a casa de banho tivesse apenas três azulejos. Não foi sem uma dose de ajuda divina que conseguimos transportar e colocar o maior destes azulejos (entrou pela porta de 60 cm de largura, tornou-se côncavo ao rodar para a outra diagonal da divisão e encaixou-se no sítio como se de um cartão-maquete com 3,30x2,30 metros se tratasse).
O vasto leque de cores disponíveis deixou-nos a nós e ao Pedro-cliente uma decisão a tomar. Durante meses deixámos arrastar a escolha:”gosto do amarelo; não concordo; vermelho é que era; assim nunca relaxarei no wc, ainda tenho um ataque de stress aqui dentro; e azul?; hum…não sei; por mim pode ser qualquer coisa menos verde; o que diz o fengshui?
No fim seguimos as palavras de Ivone Silva e… ficou preto!

Sábado, 10 de Novembro de 2007

66 - PAVIMENTO INDUSTRIAL

Numa construção que parece um armazém, com um portão para entrar o tractor e tudo, o que se espera encontrar no pavimento?
Uma betonilha afagada pois claro!
Escolhemos - um pouco às escuras - um verdadeiro pavimento industrial. Um betão C30, composto de brita fina, areia e cimento, foi misturado na betoneira, transportado em carros de mão até à casa, nivelado e, na altura do afagamento, adicionado de um produto endurecedor cujo rótulo é bem explícito: “indicado para pavimentos sujeitos a tráfego ligeiro, tais como parques de estacionamento e caves, oficinas mecânicas, garagens, indústrias ligeiras, confecções, armazéns e cais de cargas e descargas”.
Agora mais a sério, sempre nos foi obvio que a opção sobre o tipo de pavimento deveria recair sobre uma superfície contínua sem juntas. Um espelho da superfície contínua do tecto por assim dizer. A inércia térmica de um pavimento maciço é também, para o nosso caso, vantajoso já que funciona, tal como as paredes, como acumulador de temperatura.
A massa começou a ser feita às 8h00, pelas 11h00 estava toda nivelada no sítio, às 14h00 já puxava suficientemente para começar o afagamento mas somente pelas 23h00 ficou a ponto de rebuçado. Mais uma jornada contínua a encerrar o valoroso trabalho da Socofirma!



65 - REBOCAR O TABIQUE COM CAL



Aquando do enchimento com terra das nossas paredes de tabique, deixámos aplicado, na sua face interior, um fasqueado de madeira. Estas ripas, de secção trapezoidal, deixaram entre si um espaço – igualmente trapezoidal – destinado ao preenchimento com um reboco, neste caso de cal e areia.
Escolhemos um reboco de cal pelas suas características de permeabilidade ao vapor de água (um factor importante numa parede de terra) e, igualmente, de ductilidade que evite a sua fendilhação (uma vez que todos os suportes são em madeira e consequentemente muito susceptíveis a dilatações e contracções provocadas pelas variantes do clima).
A cal aplicada foi fornecida pela empresa Fradical segundo receita sugerida pelos mesmos: 3 de areia de rio, 1 de cal c/ 15% de aditivo pozolânico.
A execução do reboco foi levada a cabo pelos regressados Farias e Artur da Socofirma.

Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

64 - PORTUGAL NOW

Em jeito de auto promoção fica a informação que o Plano B foi um dos 30 gabinetes portugueses seleccionados para participar na exposição Portugal Now, organizada pela Universidade de Cornell, nos EUA.

"Portugal Now: Country Positions in Architecture and Urbanism is the third in a series of conferences and exhibitions organized by the College of Architecture, Art, and Planning at Cornell University. The series explores some of the most intriguing currents in contemporary architecture, landscape architecture, art, and urbanism in different parts of the globe. Portugal Now will examine examples of emerging contemporary Portuguese architectural practices and how they contend with global political, economic, and social realities."

Seleccionamos para a exposição o projecto da Arruda. Quem der um saltinho a NY por estes dias, por favor envie umas fotos!

Quinta-feira, 1 de Novembro de 2007

63 - INCÊNDIO À PORTA!

Ontem pela tarde bateu-nos à porta a aflição. Uma pilha de mato do terreno vizinho ‘desatou’ a arder! Quando demos pelo incidente já o fumo era uma chaminé espessa, as labaredas muito altas e a temperatura em redor repulsiva.
Chamámos os bombeiros de Arruda pelo 112. O quartel encontra-se a menos de 3 km o que deu tempo para lá irmos e os guiarmos até ao foco de incêndio. Talvez tenham passado 15 minutos desde o alarme até ao começo do combate.
Os soldados da paz foram, é claro, bem sucedidos! Afinal, apesar do tempo estar anormalmente solarengo e seco, já não estamos no Verão, e o fogo não se propagou.
De qualquer modo os carvalhos que envolvem a casa sentiram bem o calor e o fumo e nós, apesar de conscientes há muito de todos estes riscos ‘pirotécnicos’, passámos do susto ao alívio em menos de um quarto de hora. Resultado: cautelas ainda maiores estão a ser levadas a cabo.

Sábado, 27 de Outubro de 2007

62 - TECTO



Após duas semanas de ausência de novidades no blog de Arruda eis que elas regressam sob a forma de duas fotografias da aplicação do tecto falso em gesso cartonado. Os trabalhos, apesar de algo arrastados, têm corrido de feição. São tempos de pormenorização e acabamentos pouco espectaculares – para relatos online – mas essenciais para o garante da qualidade final da obra.

Domingo, 14 de Outubro de 2007

61 - COBERTURA



Esta semana (de clima estupendamente favorável) foi passada a terminar a cobertura.
Desde o post OSB NA COBERTURA (datado de há mais de dois meses) os diversos trabalhos à frente descritos foram sendo executados, conforme a necessidade e a oportunidade, tendo sido apenas agora culminados.

Sobre a camada de OSB (com pendente de 4%) foi aplicada uma solução standard de cobertura invertida baseada nos produtos da Imperalum:
Passo 1 - Duas demãos de Flintkote em pasta foi barrado no OSB.
Passo 2 – Duas camadas cruzadas de telas asfálticas (Polyplas30 e Polyster40) foram seladas a quente uma à outra e ao Flintkote.
Passo 3 – Como isolamento térmico foram aplicadas placas de poliestireno extrudido Roofmate SL-A da marca Dow com 5cm de espessura.
Passo 4 – Finalmente, como revestimento exterior, executou-se um soalho ‘em deck’ montado sobre uma estrutura de chapa galvanizada quinada assente sobre o poliestireno.

Este tabuado de madeira tem uma história curiosa uma vez que se trata de um material reciclado. Ele é proveniente de um projecto efémero que o Plano B construiu em 2004 para a Feira Terra Sã no Centro de Congressos de Lisboa e que se chamou ECO-CASA (disponível no site www.planob.com).

Após um estágio de 3 anos em armazém, esta madeira vulgaríssima (pinho de cofragem) foi embebida de Borax-Solubor para a proteger dos insectos xilófagos e pincelada com duas demãos de uma velatura (Bondex acetinado) que a torna relativamente impermeável à água e aos agentes fungicidas (pelo menos até à próxima demão – que se quer bienal).

A ECO-CASA foi um espaço de palestras sobre o significado contemporâneo deste prefixo ECO relacionado com a habitação, a construção, a sociedade. Quem hoje pisar o deck da casa de Arruda pode procurar vestígios desse debate impregnados no sobrado.


Domingo, 7 de Outubro de 2007

60 - AS PELES EXTERIORES


O revestimento exterior das paredes é partilhado por dois materiais distintos: madeira e policarbonato.

A madeira reveste os portões e o policarbonato envolve o restante das paredes.
A madeira é Pinho e o policarbonato é alveolar ondulado - Thermonda.
A madeira veio de Ourém e o policarbonato veio de Itália.
A madeira foi serrada na Madol e o policarbonato foi produzido pela Polyu.
A madeira foi aparelhada em Arruda e o policarbonato foi importado pela Cimianto.
A madeira é opaca e o policarbonato é translúcido.
A madeira é um material natural e o policarbonato é um material industrial.


Terça-feira, 2 de Outubro de 2007

59 - FOTOS DE MANHÃ, DE TARDE E DE PERTO







Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007

Nota Pessoal 17 - Grampos

Personal Note 17 - Clamps



O grampo é uma das ferramentas essenciais em trabalhos de carpintaria. Permitem fixar temporariamente uma peça de madeira numa posição enquanto se verifica a exactidão do trabalho, ou se aguarda que a cola seque, ou se vai, simplesmente, almoçar. E são completamente reversíveis.


E que jeitaço nos davam no dia-a-dia! Uma ferramenta que nos permitisse ganhar tempo, experimentar várias coisas de modo simultâneo, o período que quiséssemos, e mudar mais tarde sem consequências. Ou fixar algo - ou alguém - até que a cola seque.

O problema é que o grampo apenas fixa de modo temporário e não corrige. A um simples desaperto toda uma estrutura que parecia tão perfeita - se ignorássemos o trambolho do grampo e nós somos capazes de nos auto-iludir para ignorar tudo e mais alguma coisa e achar que podemos deixar o grampo ficar eternamente - cai e desfaz-se. Por outro lado, se a madeira for fixada torta nunca vai colar direita. E corrigir depois de colado é mesmo uma chatice.

O melhor é não termos ideias e deixar os grampos para a madeira. Ou só para pequenos trabalhos da vida, sem abusar, o tempo suficiente para dar um passo a trás e avaliar, honestamente, se é para colar ou simplesmente retirar o grampo e partir para outra.

Ó Francisco e Eduardo, a casa já está colada ou ainda vou a tempo de retirar o grampo?

Estou a brincar.

Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007

58 - MADEIRA E POLICARBONATO

58 - Wood and Polycarbonate

Ora aqui está o resultado dos trabalhos no final da passada semana. Os portões começam a ver a madeira que os reveste e a casa, o famoso policarbonato! Mais informações sobre estes revestimentos se seguirão em futuros posts.

Here are the results of the work of last Thursday and Friday. The portals start to get acquainted with the wood that will cover them and the house with the controversial polycarbonate! More information on these coverings will follow on future posts.

57 - ANTES DO POLICARBONATO

57 - Before the polycarbonate

Antes do policarbonato foram aparafusados e soldados 4 fiadas horizontais de tubos galvanizados de 25x25mm. Estes tubos metálicos são o suporte físico onde se sustentam as placas de policarbonato. Com estas fotos dizemos adeus à cortiça desnudada do véu translúcido que a envolverá.

Before using the polycarbonate sheets, four horizontal rows of galvanized tubes of 25x25mm section were fixed by screws and soldering. These metalic tubes are the physical support where the polycarbonate sheets will be attached. With these photos we say goodbye to the naked cork, for the last time without the translucid veil that will cover it.

Quinta-feira, 20 de Setembro de 2007

56 - PINTAR À PISTOLA


Depois de uma longa ausência de fotografias do exterior, eis que elas reaparecem com as pinturas das partes metálicas.
Sobre o resistente primário da indústria naval - vermelho ferrugem - com que as peças saíram da serralharia aplicámos um esmalte de poliuretano de 2 componentes da CIN – Acrythane S400 Sat. A cor é negra num semi-brilho acetinado, uma opção ‘meio neutra’ que esperamos que faça destacar as madeiras dos portões e a translucidez do policarbonato.

Segunda-feira, 17 de Setembro de 2007

Nota Pessoal 16 - Foto da Casa no Correio da Manhã



Foi na revista Domingo do Correio da Manhã de 26 de Agosto de 2007 que num artigo sobre arquitectos que participam na Bienal de Cerveira se incluiu o Plano B e um dos desenhos da casa já terminada (foto da direita em cima). Fiquei contente pelos arquitectos, cujo talento e esforço merecem reconhecimento, e por ver a casa - anónima! - mostrada a mais gente.

Terça-feira, 11 de Setembro de 2007

Nota Pessoal 15 - Electricidade

Personal Note 15 - Electricity


Antes do início do enchimento das paredes com terra foi necessário passar quilómetros de tubos de calibres variados pela paredes e tecto. São os tubos por onde passarão os fios eléctricos para a cozinha, para os candeeiros, para todo o tipo de pontos de luz ou electricidade. E para uma casa pequena é assustador ver quantos pontos de luz estão envolvidos!

O Vítor Duarte, electricista da obra, veio com a sua equipa na primeira semana de Agosto e meteu mãos à obra. Instalou-se o fio para as descargas na terra, e mais dezenas de ligações independentes aos quadros eléctricos. Tinha que ficar tudo previsto e feito! Uma vez as paredes cheias de terra e com o ripado será difícil acrescentar mais algum fio.

E aproveita-se as fotografias para matar saudades da bonita estrutura de madeira, agora permanentemente envolvida pela terra.

Before we could start to fill the walls with earth it was necessary to install miles of tubes of different calibers through the wall space and ceiling. These tubes will have the electric wiring inside to light the house and for all the different electricity or light points. For a small house it's scary to see how many light points we are talking about!

The electrician Vítor Duarte and his team came on the first week of August and worked a full day on this. The earth copper wire was installed outside the house and inside dozens of connections to the electric board were prepared. It all needed to be predicted and prepared! Once the walls were filled with daub and wattled it would be and will be difficult to add anything.

The pictures also give us a chance to remember the beautifull wood structure now permanently enveloped by the earth daub.

Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007

Nota Pessoal 14 - A Testemunha

Personal Note 14 - The Witness




Nos idos anos 80, eu vi um filme chamado "A Testemunha" onde se retratavam alguns dos hábitos de uma comunidade Amish da costa Leste dos EUA. No filme vêem-se vários vizinhos de uma comunidade agrícola reunirem-se num dia de Verão para ajudarem a construir um edifício de madeira. Fiquei na altura fascinado com a vida comunitária daquelas pessoas, os vínculos de entre-ajuda e também os problemas inerentes ao tipo de vida que levavam. Nem tudo é fácil quando se vive em conjunto, partilhando as coisas boas assim como os conflitos e dificuldades. Mas o resultado pode, a meu ver, ser válido e bem maior do que a soma das partes.

Na construção desta casa tivemos o imenso privilégio de usufruir dessas coisas boas da vida comunitária. Fomos ajudados por imensa gente, uma comunidade solta de pessoas que por laços familiares, de amizade ou de ideias, e de forma desinteressada, decidiram colaborar no enchimento em terra das paredes. E a oferta do seu tempo e boa vontade foi, sem dúvida, dos maiores privilégios que usufruí na minha vida.

Foram quatro fins-de-semana e um feriado intensos, sempre acompanhado, carregado 'ao colo'. A minha mãe, com a ajuda de outras pessoas, trazia-nos sempre o almoço. Estivemos nós. Veio o meu pai, o meu irmão, cunhados, primos e amigos. Vieram os arquitectos, os seus amigos, familiares e colegas. Vieram estranhos e curiosos. Todos vieram e ajudaram.

No fim-de-semana de 25 e 26 de Agosto vieram o José, a Raquel, a Joana, eu, o Eduardo, o Francisco, o Luís, o João e o João V, a Vera, o Zé Carlos, a Dina, o Carlos filho, a Damiana, a Carmen, a Patrícia, a Cristina, o Filipe, a Sandra e o pequeno Álvaro, a Fernanda e o Vítor. No Sábado 1 de Setembro e Domingo 2 veio a Lina, e os jovens João e Pedro, a Damiana, o Carlos pai, a Elizabete, a Fernanda, o Nuno, o Paulo, a Raquel, a Joana B, a Joana C e a Joana D, a Rosa, a Natália, a Julieta, o José, o Eduardo, o Francisco, o Manel e eu.

A testemunha de tudo isto é a casa. Ela guarda em cada monte de terra o esforço e dedicação de alguém. E mesmo quando eu me esquecer se foi a Joana B, C ou D que encheu certo espaço as marcas delas ainda lá estarão. A casa guarda essa verdade e será monumento ao que testemunhou. Que dure muito tempo.

Obrigado a todos o que têm apoiado esta aventura.

PS - Obrigado R. Pelas correcções de português!




In the mid 1980s I watched a movie called "The Witness" where some of the customs of a Amish community of the East coast of the USA were shown. In the movie we can see how different neighbours of a farming community come together one Summer's day to help build a wood barn. At the time I was fascinated with the community life of these farmers, how they worked together and helped each other and also the problems inherent to the type of life they led. It isn't all easy when one lives in such a way, sharing the good things but also the conflicts and difficulties associated. But the result can, I believe, be a valid one and greater than its parts.

In the building of this house we have had the huge privilege of benefiting from some of the good things associated with community living. We were helped by many people, an open community of individuals connected by family, friendship or ideas that in a selfless way decided to colaborate in the filling of the walls with earth. And their gift of time and good will was, with no doubt, one of the biggest privileges I have enjoyed in my life.

For four intense weekends and a holiday I was always supported, carried on the arms of others. My mother, with the help of other people, brought us lunch everyday. We were there. My father, brother, sisters-in-law, cousins and friends came. The architects, their friends, family and colleagues came. Strangers came. And they all helped.

The house is the witness to all this. It keeps in every mound of earth the effort and dedication of someone. And even when I no longer remember who did which mound the testimony of that person will still be there. The house will be the guardian of this truth. May it last a long time.

Thank you, all of you who have supported this adventure.

Terça-feira, 4 de Setembro de 2007

55 - Até ao varrer da Terra!

55 - All the way to the sweeping of the floor!

E não é que conseguimos mesmo? Neste 4º fim-de-semana, num esforço acrescido por parte dos voluntários presentes, acabámos de encher todas as paredes com terra! Nove dias de trabalho apelidam agora a tarefa de herculiana!

And didn't we actually do it? This 4th weekend, with an extra effort by the attending volunteers, we finished filling all the walls with daub! Nine days of work make this an herculean task!





Ao pôr-do-sol saiu a última carrada de lama que havia de rematar o último topo da última parede. Depois das máquinas lavadas, da casa varrida e já ao som do amigo mocho galego, nós, os resistentes, abrimos uma garrafa de Murganheira, da região de Lamego, e brindámos à saúde de todos os que por ali andaram a trabalhar: À VOSSA!

By sunset, the last mud load that would finish the last top of the last wall was mixed. After cleaning the two daub mixers, sweeping the house and already in the company of our local little owl, we, the final resistants, opened a bottle of Murganheira bubbly, from the Lamego region, and toasted to the health of all participants in the project: CHEERS!

Terça-feira, 28 de Agosto de 2007

54 - A CAMINHO DO TERMINUS

54 - On the way to the end


Está quase! Os sexto e sétimo dias da oficina de tabique correram intensamente e com resultados visíveis. Duplicámos os meios mecânicos de produção de massa (duas betoneiras) e conseguimos preencher todos os espaços de fasqueado disponíveis.

Pelas nossas contas precisamos de 2 dias para terminar o enchimento total das paredes com terra. Serão os últimos dois dias à roda da terra! O próximo fim-de-semana, Sábado 1 e Domingo 2, a inaugurar o mês de Setembro, é a última oportunidade para participar na oficina de tabique!

Será que conseguiremos terminar a tempo de abrir o champanhe ao pôr-do-sol?
Voluntários ao brinde final confirmem para o email arrudacasa@gmail.com ou para os telemóveis 936505361 (Francisco Freire) ou 931640995 (Pedro Lérias).


We are nearly there! The sixth and seventh day of wattle and daub workshops were intense and the results show it. We doubled the mechanical daub production (two cement mixers) and we were able to fill in all the pre-prepared and available wattled space (wooden stakes).

By our predictions we need two more days to finish filling in the walls with daub. It will be the last two days around the earth! The next weekend, Saturday 1st and Sunday 2nd, opening the month of September, is the last chance to participate in the wattle and daub workshops.

Will we be able to finish on time to open the champagne at sunset?

Volunteers to the final toast get in touch to the email arrudacasa@gmail.com or to the mobile phone numbers 936505361 (Francisco Freire) or 931640995 (Pedro Lérias).








Quarta-feira, 22 de Agosto de 2007

53 – OFICINA DE TABIQUE (PARTE 2) CONTINUA ESTE SÁBADO E DOMINGO!

53 - Wattle and Daub workshop (part 2) continues this Saturday and Sunday!


Agora que o preenchimento dos triângulos estruturou o (algo frágil) revestimento de cortiça, vamos começar a encher, com a segunda camada de terra, a totalidade da espessura das paredes! Estamos a aplicar o fasqueado de madeira que suportará, pelo interior, este enchimento com terra.

Como habitualmente, estão todos convidados a participar. Contactem-nos para mais informações para o e-mail arrudacasa@google.com ou para o telefone: Francisco Freire 936505361

Now that the triangles have added support to the somewhat fragile cork outter lining, we will begin to fill in, with a second layer of daub, the total depth of the walls! We are nailing the wood stakes (wattle) that will support, from the inside, this daub filling.

As usual, you are all invited to take part. Get in touch to the email arrudacasa@google.com or the mobile phone number 936505361 (Francisco Freire) for more information.

52 - FOTOS DO PASSADO FIM-DE-SEMANA

52 - Photos of the last weekend


Nota Pessoal 13 - Sáb 25 e Dom 26 Venham pôr a mão na massa!

Personal Note 13 - Saturday 25th and Sunday 26th Come get your hands dirty!



As paredes de terra da casa seguem a bom ritmo. No passado fim-de-semana fez-se uma alteração à constituição da massa para enchimento das paredes introduzindo-se palha de forma a reduzir ainda mais a contracção da terra ao secar. E muitos triângulos foram cheios!

Tivemos muita e bem-vinda ajuda na passada quarta-feira e fim-de-semana! Veio a Joana, a Raquel e o Gonçalo, a Anabela e a Ana, outro Gonçalo e a Maria, a Guiomar, o José, o Miguel, a Damiana e o Carlos pai, o Carlos filho e a Dina, o Manel e o Pedro, o Francisco e o Eduardo, o Luís e a Martina, a João e outro Pedro, a Deusa e o António, o Mário e o Fernando, o outro Francisco, a Fátima, a Maria de Lurdes e mais um Pedro, a Nilde, o Mário e a pequena Sofia, a Anabela, o Nuno e a jovem Maria, a Fernanda e o Vitor, a outra Joana, a Teresa e a Marta, mais uma Ana, a Mónica, o Simão, outra Marta, o jovem Lucas, a Cristina, o Tininho, os jovens irmãos Inês e Nuno, o pequeno Álvaro, a Sandra e o Filipe, a Humberta e o Gata, o Luís Pedro, a Paula e os jovens irmãos Manuel e Madalena! Uns vieram só ver e dar apoio, outros vieram uma manhã ou uma tarde, alguns repetiram dias. Foram todos bem vindos! O mais novo tinha 15 meses e também fez o seu cantinho de triângulo. Aliás, neste fim-de-semana vieram muitas crianças que trouxeram os pais e pela correria e brincadeira acho que todos se divertiram.

No próximo fim-de-semana, vamos terminar os triângulos – já só falta uma dúzia! – e iniciar a segunda fase de enchimento até ao ripado de madeira. Precisamos de mãos e seus donos para peneirar a terra, tirar água do poço, cortar palha, mudar os cds quando todos os outros têm as mãos na terra, transportar o carrinho de mão, mas, acima de tudo, aplicar a terra nas paredes ou, simplesmente, fazer-nos companhia nas pausas para chá, café, sumos ou bolos!

Tenho partilhado experiências, conhecido muita gente, usufruído de muita boa vontade e dedicação. Amigos que não se viam há anos têm-se encontrado por acaso na obra, vive-se um ambiente de convivência, aprendizagem e entre-ajuda. Tem sido um prazer ver as minhas expectativas para estes dias superadas e é com um sincero obrigado que relembro todos os que pela obra têm passado.

E fica mais um convite: Sábado ou Domingo, venham continuar connosco esta aventura de fazer uma casa com paredes de terra e palha! (mas não digam ao lobo mau...)

Contactem-nos para mais informações para o e-mail arrudacasa@google.com ou para o telefone: Francisco Freire 936505361

The wattle and daub walls are making good progress. The past weekend we made a change to the earth and added straw to reduce further shrinkrage of the daub when drying. And many triangles were completed!

We had much and welcomed help both the past wednesday and the weekend! 59 people came at one time or another (see names above!)! Some came to watch and lend their support, others came one morning or afternoon, many repeated days. They were all welcome! The youngest was 15 months and also helped with a corner of a triangle. In fact, this weekend many children came and brought their parents and by the running and playing I suspect they all had a good time.

Next weekend we will finish the triangles - only a dozen left to go! - and start the second stage of the filling in of the walls to the inner wattle. We need hands and their owners to sift the earth, get water from the well, cut straw, change the cds when everyone else has their hands in the mud, push the wheel car, but, above all, apply the daub on the walls or, simply, keep us company on the brakes for tea, coffe, juices or cakes!

I have shared experiences, met many people, been on the receiving end of much dedication and good will. Friends that hadn't seen eachother in years have met on the workshops, there is a general environment of learning, socializing and mutual help. It has been a pleasure to have my expectations for these days surpassed and it is with a sincere thank you that I remember all those that have been going to the workshops.

And here is another invitation: Saturday or Sunday, come continue with us this adventure of building a house with walls of earth and straw!

Contact us for more information to the email arrudacasa@google.com or to the mobile phome:
Francisco Freire 936505361

Sexta-feira, 17 de Agosto de 2007

51 - O NARIZ DE MIGUEL

51 - The nose of Miguel


Não é Ângelo mas esculpe! É Mendes, arquitecto Miguel Mendes, e deixou-nos um nariz que para sempre ficará no interior do Tabique!

It's not Angelo but he sculpts nevertheless! It's Mendes, architect Miguel Mendes, and he left us a nose that will forever be inside the wattle and daub wall!

Quinta-feira, 16 de Agosto de 2007

50 - Segundo Round, Terceiro é já este sábado e domingo

50 - Segunda Volta, Third is next Saturday and Sunday

Depois do primeiro fim-de-semana, o segundo round teve lugar esta quarta-feira, feriado mas dia de trabalho. Na parte da manhã a chuva e o vento fustigaram-nos ferozmente mas à tarde o sol secou as vistas.
Novas mãos vieram moldar a terra e apareceram também reeincidentes que nitidamente começam a ficar viciados nesta terapia que é construir uma casa metendo as mãos na lama.

After the first weekend, the second round took place this Wednesday, a holiday but also a day of labour. In the morning the rain and wind bashed us ferociously but in the afternoon the sun dried the sights.
New hands came to mold the earth and others returned, starting to show the signs of addiction to this theraphy of building a house by getting your hands in the mud.



Quarta-feira, 15 de Agosto de 2007

Nota Pessoal 12 - As mãos

As mãos


Com mãos se faz a paz se faz a guerra.

Com mãos tudo se faz e se desfaz.

Com mãos se faz o poema – e são de terra.

Com mãos se faz a guerra – e são a paz.


Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.

Não são de pedras estas casas mas

de mãos. E estão no fruto e na palavra

as mãos que são o canto e são as armas.


E cravam-se no Tempo como farpas

as mãos que vês nas coisas transformadas.

Folhas que vão no vento: verdes harpas.


De mãos é cada flor cada cidade.

Ninguém pode vencer estas espadas:

nas tuas mãos começa a liberdade.


Manuel Alegre, O Canto e as Armas, 1967


Obrigado, Joio, pelo lindo poema que nasceu comentário e eu fiz post.
Não é de pedra a minha casa, mas de mãos.

Segunda-feira, 13 de Agosto de 2007

Nota Pessoal 11 - Oficinas de tabique dia 15 (nova data), 18 e 19

Personal note 11 - Wattle and Daub workshops the 15th (new date), 18th and 19th



Não são queijinhos do Trivial Pursuit, nem triângulos La vache qui rit, mas são macios ao toque e puxam pela cabeça! As oficinas de tabique já se iniciaram - ver fotos no post abaixo. Enquanto dono da obra estou a ter o privilégio de receber a arte e boa-vontade de amigos e desconhecidos que responderam ao apelo para ajudar a tornar realidade esta casa de paredes de terra.

Foram dois dias de aprendizagem, trabalho e satisfação. Todos desenvolveram o seu método pessoal para preencher um triângulo e acumulou-se já uma 'cultura' específica a esta obra. Com persistência e ânimo iam-se terminando triângulos ou outras tarefas - peneirar a terra, tirar água do poço - sempre com a satisfação que se retira de fazer algo com as nossas próprias mãos, de ver um trabalho manual finalizado.

A Guiomar, o José, o Luís Pedro, o Tó, a Raquel, o Gonçalo, a Damiana, a Lurdes, a Joana, o Rui, o Jorge, outro Luís, outro Gonçalo, o Manel, o Francisco, o Eduardo e eu, o Pedro, preenchemos ao longo do fim-de-semana 56 triângulos e iniciámos mais meia-dúzia.

Esta casa ganha Alma.

Ficou ainda muito trabalho por fazer. Tínhamos guardado o feriado de dia 15 para descansar. Mas apesar do fim-de-semana nos ter cansado o corpo, revigorou-nos a vontade e resolvemos abrir a casa a voluntários também na quarta-feira, 15 de Agosto, a juntar ao próximo fim-de-semana de 18 e 19 de Agosto, sempre das 09h00 às 19h00.

Fica o apelo para que se juntem a nós e participem nesta experiência de construir uma casa de madeira, terra e cortiça. E usando um mote sugerido pela Raquel, leitora do blogue e voluntária no primeiro fim de semana:

"Venham aprender a fazer uma casa com as vossas mãos - com as taxas de juro a crescer, pode dar jeito!"

Contactem-nos para o email arrudacasa@gmail.com ou para os seguintes telemóveis (das 9 às 20h):

Pedro Lérias: 931640995
Francisco Freire: 936505361

Venham "triangular" connosco!


They are not Trivial Pursuit triangles, nor La vache qui rit little triangular cheeses, but they are soft to the touch and hard to crack! The wattle and daub workshops started this past weekend - see photos on the post below. As the owner of the house in progress I have been privileged to receive the artistry and good-will of friends and strangers that answered the call to help make real this house with walls of earth.

It turned out to be two days of learning, labour and satisfaction. Everyone developed their own method to fill in a triangle and a 'culture' specific to these workshops is already building up. With persistence and positivity people kept finishing triangles or other tasks - sift the earth, get water from the well - always with the fulfilment one takes from doing something with one's own hands, of seeing a manual task finished.

Guiomar, José, Luís Pedro, Tó, Raquel, Gonçalo, Joana, Rui, Jorge, another Luís, another Gonçalo, Manel, Francisco, Eduardo and I, Pedro, filled during the weekend 56 triangles and started half a dozen more.

The house is acquiring a Soul.

There is still much work to be done. We had reserved the holiday of the 15th to rest. But despite the weekend tiring us physically it lifted our will and we decided to open the house to volunteers also wednesday, the 15th of August, another date to add to the weekend of the 18th and 19th of August, always from 9 am to 7 pm.

And so, once again, we make this call for you to join us and share this experience of building a house made of wood, earth and cork. And to use the advertisment suggestion of Raquel, reader of this blog and a volunteer the last weekend:

"Come and learn how to build a house with your hands - with the interest rates going up and up, it might be useful to know!"

You can reach us on arrudacasa@gmail.com or on the following mobile/cell phones

Pedro Lerias: 931 640 995
Francisco Freire: 936505361

Come and build triangles with us!

Domingo, 12 de Agosto de 2007

49 - Triângulo Mágico

49 - Magic Triangle





O primeiro fim-de-semana da Oficina de Tabique foi medido em triângulos: Quantos triângulos já enchemos? Quantos triângulos faltam? Este é o meu triângulo! Este triângulo precisa de acertos. Aqui está o melhor triângulo! Quem comeu o meu triângulo de bolo?
Triângulos à parte, os 15 elementos desta equipa encontraram o caminho e vieram desempenhar com mérito e orgulho a arte de bem "tabicar"!

The first weekend of the Wattle and Daub workshops was measured in triangles: how many triangles have we filled in so far? How many triangles to go? This triangle needs fixing. This is a great triangle! Who ate my cake triangle?!
Triangles aside, the 15 members of this weekend's team found the way to the house and came to perform with artistry and pride the art of good daubing!

Sábado, 4 de Agosto de 2007

48 - OFICINA DE TABIQUE “VENHAM ENCHER AS PAREDES COM TERRA!”

48 - Wattle and Daub workshop “Come fill in the walls with earth!”

Caros frequentadores deste blog,

Vamos abrir a obra à participação de todos na parte mais carismática da construção: devolver à casa a terra que de lá saiu aquando das escavações.

Nos próximos fins-de-semana de 11/12 e 18/19 de Agosto decorrerão oficinas de enchimento das paredes com terra, lideradas pelos arquitectos do Plano B, e estão convidados a aparecer e adicionar 1 cm³ que seja aos 15 m³ de terra com que prevemos encher as paredes desta casa na Arruda-dos-Vinhos. Estas oficinas informais decorrerão durante todo o dia, das 09h00 às 19h00 e cada pessoa é livre de escolher o dia e a hora em que gostaria de participar.

A argamassa de preenchimento compõe-se apenas da terra local (silte e argila) somada de areia. Não será adicionado cimento, cal ou outro estabilizante, logo o manuseamento do material é, para além de benigno, quase lúdico!

Existem boas sombras no terreno para descansar e o interior da casa já está coberto mas alguns trabalhos decorrerão ao sol e estará calor. Aconselhamos, por isso, que tragam roupa confortável mas preparada para o enlameamento! Uma muda de roupa é oportuna para quem não quiser levar barro para o carro. Luvas, chapéu e protector solar são também itens aconselháveis. Nós forneceremos luvas de latex para quem queira. O terreno está a 5 minutos de carro da Arruda onde existem lojas, supermercados e restaurantes em abundância mas é sempre possível fazer pic-nic à sombra dos carvalhos. Temos electricidade na obra e ainda acesso a uma casa-de-banho seca ou a muito mato!

A participação na oficina não será paga. Apela-se a um espírito de participação numa ‘nobre causa‘ imbuído da experiência de meter as mãos na massa e de aprender como se enche uma parede de Tabique. Cada um decide como quer participar, desde cantar para manter o trabalho dos voluntários a bom ritmo até trabalhos físicos mais exigentes. Com sorte, não quererá toda a gente cantar!

Quem estiver interessado em comparecer pedimos que nos contacte indicando as datas da sua disponibilidade para que possamos organizar convenientemente toda a logística inerente e informar mais detalhadamente os participantes. Tentaremos assegurar o transporte de e para a obra de todos os que venham de transportes públicos. Nos dias 13, 14, 16 e 17 estaremos igualmente em permanência a encher as paredes e abertos à ajuda de quem queira aparecer nesses dias.

Contactem-nos para o email arrudacasa@gmail.com ou para os seguintes telemóveis (das 9 às 20h):
Pedro Lérias: 931640995
Francisco Freire: 936505361

Sejam bem aparecidos!



Dear readers of this blog,

We are about to open to anyone and everyone the most charismatic part of the construction work: returning to the house the soil excavated from the site.

You are invited to join us on the weekends of the 11th/12th and 18th/19th to participate in the wall filling workshops led by the architects of Plano B and add a cubic inch of earth of the 15 cubic meters necessary to fill in the walls of this house in Arruda. The workshops will take place from 9 am to 7 pm and everyone is free to choose the day and hour they would like to take part.

The filling daub is made of local earth (silt and clay) with the addition of sand. No cement, lime or other binder will be added, and therefore the handling of the daub will be not only benign but hopefully lots of fun!

There are some good shade areas around the house for resting and the inside of the house is already roofed but some work will take place out under the sun and it will be hot. We advise the use of confortable clothing and be prepared to get muddy! A change of clothes is always at hand for those not wishing to get their cars covered in clay. Gloves, hat, sunscreen and plenty of water are also adviseable. We will provide latex gloves should you wish to use them. The land is 5 minutes away from the city of Arruda where shops and restaurants are plentiful but you can also pic-nic under the oak trees. There is electricity on site and also acess to a dry toilet or lots of scrubland!

Participation in the workshops is free of charge. We call for a spirit of participation in a 'noble cause', with a hands-on approach, learning or gaining experience in how to build a wattle and daub earth wall. Everyone decides their level of participation, from singing to keep the volunteers work rythm going to more demanding physical labour. Hopefully, not everyone will be singing!

We ask all those interested in participating to contact us with the dates of their choice so we can better organise the logistics and give more detailed information. We will make our best to secure transportation to and from the land for all those travelling by public transportation. We will also be filling the walls on the 13th, 14th, 16th and 17th of August and open to anyone wishing to help out on those days.

You can reach us on
arrudacasa@gmail.com or on the following mobile/cell phones:
Pedro Lérias: 931640995
Francisco Freire: 936505361

Hope to see you there!

Sexta-feira, 3 de Agosto de 2007

47 – OSB NA COBERTURA

47 - OSB on the roof

A nossa cobertura é uma sucessão de camadas de materiais, com funções distintas, assentes sobre as poderosas vigas de Eucalipto. Hoje ficou concluido o primeiro estrato - placas de OSB (Oriented Strand Board) .
A sua função é servir de cama resistente sobre a qual podemos assentar as sucessivas camadas de impermeabilização e isolamento. Note-se que esta cama não é um plano horizontal mas sim dois planos com uma inclinação de 3% - naturalmente para facilitar o escoamento das águas pluviais.
Esta pendente foi criada pelas chapas quinadas de altura de alma variável que separam o OSB dos topos das Vigas de Eucalipto. Todas as ligações entre estes diversos materiais foram fixadas por aparafusamentos.
O OSB é um produto ainda algo imberbe em Portugal mas muito utilizado nos EUA por exemplo. É comercializado (e muito divulgado) pela Jular e também pela Tafibra do Grupo Sonae. Nós fomos clientes do Belmiro através dos revendedores Materlis: 18 placas de OSB4 de 2500x1250mm e 15mm de espessura.


Our roof is made of several layers of materials with different functions, supported on the powerful Eucalyptus wood beams. Today we finished the first layer – OSB or oriented strand board. Its purpose is to be a resistant support base for the other layers of waterproffing and insulation. It should be noted that it isn't a horizontal layer. Instead two planes with a 3% inclination descend from the midle to make the run-off of rain water easier. This inclination results from supporting the boards on increasingly higher galvanised metal frames that separate the osb from the wood beams. OSB is scarcely used in Portugal but very popular in the USA, for example. It's sold by Jular and also by Tafibra do Grupo Sonae. We bought ours from Belmiro, through the wholesalers Materlis: 18 boards of OSB4 2500x1250mm and 15mm thick.


Quinta-feira, 2 de Agosto de 2007

Nota Pessoal 10 - E quem não trabalha...vê trabalhar!

Personal Note 10 - And those that don't work ... watch others work!

Uma pequena e amadora partida do cliente aos projectistas. A imagem mostra o sôr arquitecto Eduardo e o sôr arquitecto Francisco, co-autores do projecto, a discutir diversos aspectos da execução da obra, durante um encontro de ambos esta tarde. Note-se, no entanto, que se alguém tem visto trabalhar, tenho sido eu.

A small joke by me, the client, on the architects. The image shows Eduardo, on the left, and Francisco, on the right, co-authors of the project, discussing different aspects of the construction work, during a meeting this afternoon. Francisco is thinking (in the eliptic bubble): "I can't believe the house hasn't collapsed yet...". Eduardo is thinking (in the squarish bubble): "I can't believe Francisco isn't thinking square...". I should note that I alone have been only watching and doing little work.

Quarta-feira, 1 de Agosto de 2007

46 - QUEM TRABALHA, TRABALHA!

46 - Those who work, work!

Terça-feira, 31 de Julho de 2007

45 - QUEM TRABALHA

45 - Those who work

Os multifacetados senhor José (em baixo à direita) e senhor Paulo (em baixo à esquerda) e, da Serralharia Maia, os senhores Paulo (no topo da escada) e Gustavo (segurando a escada).

The multi-skilled Mr. José (bottom right) and Mr. Paulo (bottom left) and, from Serralharia Maia, Mr. Paulo (top of the ladder) and Gustavo (holding the ladder).


Nota Pessoal 09 - Rapsódia Primaveril

Personal Note 09 - Springtime Rhapsody


Este mosaico fotográfico foi elaborado pelo meu amigo Shay Karniel após uma curta visita ao terreno em redor da casa no primeiro verão de 2006. Agora que o segundo verão de 2007 chegou em força e o calor aperta, refresca-me olhar para as cores vivas das flores que ele descobriu e fotografou sem que eu desse por nada - provavelmente perdido que estava em lérias - mas que muito gostei de receber. Como este ano ainda não vi um casal de abelharucos que nos costuma visitar no estio e romper o céu com rasgos de cor, fica a rapsódia de flores para alegrar o blogue com uma outra visão da casa.



This photo mosaic was done by my friend Shay Karniel after a short visit to the land around the house on the Spring of 2006. Now that the Summer of 2007 is here and temperatures soar, I find it refreshing to look at the bright colours of the flowers that he found and photographed without me noticing - probably lost in my own words - but that I much enjoyed receiving. As this year I am yet to see a family of bee-eaters that used to visit us in the summer and rip the sky with flashes of colour, here is a rhapsody of flowers to brighten the blog with a different view of the house.

Sábado, 28 de Julho de 2007

44 - Cortiça Isola

44- Cork insulates

Aos poucos avança-se no revestimento exterior da estrutura nas paredes. O material é a cortiça, mais exactamente aglomerado em placas, vindas directamente da Amorim - Unidade Industrial de Vendas Novas (uma encomenda atempada com dimensões de 120x60x5cm e encaixes a “meia-madeira”).
Esta camada é o isolamento térmico da nossa parede maciça, a barreira que retém a temperatura acumulada pela inércia térmica da terra e da madeira.

Slowly, progress is made in the exterior covering of the wall structure. The material used is cork, more specifically ICB - Insulation Cork Board, directly from Amorim (a timely order of 120x60x5 cm boards cut at the top and bottom with half lap joints). This layer will serve as thermal insulation of the solid timber/earth walls, retaining the temperature stored in its high thermal inertia.

Quinta-feira, 26 de Julho de 2007

43 - INÍCIO DA CORTIÇA

43 - Beginning of the cork


Quarta-feira, 25 de Julho de 2007

Nota Pessoal 08 - Cenas dos próximos capítulos

Personal Note 08 - Next on "House in Arruda"

Ontem levantámos o véu aos revestimentos exteriores da madeira com o isolamento de cortiça e policarbonato. Estava, principalmente, muito curioso para ver o policarbonato. Eis o resultado, uma primeira amostra do que o futuro da casa nos guarda.

Yesterday we lifted the veil on the exterior covering of the wood structure, trying the cork insulation and polycarbonate sheets. I was particularly curious to see the polycarbonate in place. Here is the result, a preview of what the future of the house holds.


Terça-feira, 24 de Julho de 2007

Nota Pessoal 07 - Mais fotos da estrutura de eucalipto

Personal Note 07 - More photos of the Eucalyptus structure

A casa vista de cima e de baixo e de lado e do outro lado e de trás e na diagonal e de dentro e de fora ... Escapou-me alguma?! Vêem a baba a cobrir isto tudo?

The house seen from above and below and sideways and the other side and from behind and diagonally and from inside and from outside ... Missed anything?!













Sábado, 21 de Julho de 2007

42 - Estrutura de Eucalipto, Terminada!


Três semanas foi o tempo que demorou a montagem deste LEGO de 311 peças. 47 pilares, 20 lintéis, 22 vigas, 121 tarugos, e 101 contraventamentos. Para uni-las usámos 196 cantoneiras metálicas primárias, 300 cantoneiras metálicas secundárias, 188 buchas metálicas para betão, 360 parafusos M12, 360 porcas M12, 850 anilhas M12 largas, 35 metros de cabo de aço Ø 8mm, 4 esticadores, 16 serra-cabos, 8 manilhas, 400 cavilhas, 500 parafusos para madeira; gastámos 5 berbequins, 3 serras circulares, 15 brocas, e ainda muito suor.
Poderia ter corrido melhor mas também poderia ter corrido muito pior. Salvo alguns desaprumos e desalinhos – que não excedem 1 cm no seu todo - as coisas estão no sítio e fixas entre si, e isso é o mais importante.
É facto que este resultado não foi atingido sem uma dose elevada de dificuldades e constrangimentos: nos métodos de montagem, nos problemas com o equipamento técnico, na dureza e peso da madeira, no entendimento entre os diversos profissionais envolvidos (nos quais eu me incluo), etc. Mas convenhamos, termos chegado até este ponto e a casa estar como está, é um indubitável sucesso.
Um dos principais riscos nesta amálgama construtiva foi o Eucalipto ter sido a espécie de madeira escolhida para a estrutura (ver posts 05, 20 e nota pessoal 04). Agora, com a ossatura montada, penso que estes eucaliptos têm tido, até ver, um comportamento excelente. A grande maioria deles tem respondido a sol, chuva e ‘desapoios’ com parcos ou nenhuns empenos. Parecem mesmo ter uma idade respeitosa que lhes acalma os movimentos. Que tenham um ‘descanso eterno’ no caixão em que os vamos envolver!

Sexta-feira, 20 de Julho de 2007

41 – HOMELAND - Plano B na Bienal de Cerveira 2007


Em paralelo à obra de Arruda, o Plano B foi convidado a participar na exposição “Arquitectura à Margem” que decorrerá a partir de dia 18 de Agosto na Bienal de Artes de Vila Nova de Cerveira.

A intervenção do Plano B será a construção, em Taipa, de uma “Ilha da Arquitectura” a que chamámos “Homeland”. A compactação da terra começará no dia 21 de Julho e deverá prolongar-se até 5 de Agosto.

O Plano B gostaria de abrir esta obra à participação de quem tenha interesse e disponibilidade. Convidamos assim quem gostasse de experimentar (ou aperfeiçoar) a construção em Taipa, para que se junte a nós durante algum (ou vários) dos dias no referido prazo.

Quem queira participar confirme, por favor, para o email do Plano B (info@planob.com) em que datas teria disponibilidade por forma a podermos coordenar a obra. Ou simplesmente apareça na Casa do Artesão (antigo mercado do peixe) no centro histórico de Vila Nova de Cerveira.

Para acompanhar o desenvolvimento da obra, e depois da exposição, lançamos hoje um novo blog: http://planob-cerveira.blogspot.com/

Quarta-feira, 18 de Julho de 2007

40 - VIGAMENTOS ASSENTES



A montagem da estrutura aproxima-se do fim. Falta tarugar os vigamentos, rematar alguns pormenores e re-apertar todos os parafusos.

Terça-feira, 17 de Julho de 2007

39 - Quase tecto

Sábado, 14 de Julho de 2007

38 - TRACÇÃO E CONTRAVENTAMENTOS

O grosso da estrutura está no sítio. Pilares e lintéis montados e aparafusados entre si. A fase agora é de acertar os alinhamentos, verticalidades, horizontalidades, a geometria do todo com o rigor possível. Para isso recorremos a escoramentos diagonais com extensores mas sobretudo ajustando com esticadores os cabos de aço que cruzam a cobertura do edifício.
Hoje de manhã a estrutura ficou o mais certa possível e, enquanto esta se mantinha no sítio, avançou-se na operação dos contraventamentos. Estes são barrotes de secção 9x9cm aplicados em posição oblíqua ligando os pontos de encontro entre os pilares e os tarugos (as peças horizontais que espaçam os pilares uns dos outros).
Caminhamos assim para o travamento completo da coisa, a gaiola.

Sexta-feira, 13 de Julho de 2007

37 - Hoje

Nota Pessoal 06 - Dois meses e um dia

Parece mentira mas foi apenas há dois meses e um dia que uma tosquia cuidada iniciava as obras nesta minha casa no Concelho da Arruda-dos-Vinhos - ver '10 - Limpeza' de 11 de Maio. Passaram nove semanas, sessenta e quatro dias de labuta para chegar ao estádio avançado em que nos encontramos. Mas a obra habituou-nos a uma velocidade de desenvolvimento tal que as duas últimas semanas, dedicadas à estrutura em madeira, com trabalhos mais complexos - mesmo que não mais difíceis - e com um material - madeira de cerne de eucalipto - mais imprevisível, nos deixam expectantes, como que a perguntar: então isso não anda?!

Nos dois meses que até agora passaram tenho percorrido um mundo inteiro de emoções; sinto-me incrédulo, ansioso, orgulhoso, calmo, feliz, assustado, seguro. Felizmente, as flutuações têm sido ténues e a sensação que prevalece indiscutivelmente positiva.

Este blog tem sido uma parte inseparável de todo este processo. Dou comigo a esperar inquieto pelo próximo post - e cuide-se o Francisco quando este demora! - e a examinar o número de visitantes. Fico satisfeito que nem um miúdo a quem dizem que fez um desenho bonito quando deixam um pequeno comentário, seja de que tipo for. Mas esta exposição pública não tem agravado ansiedades, tem apenas sido uma forma de as canalizar, e penso que ao fazê-lo me tem ajudado na forma como lido, dia a dia, com esta minha casa nova, a nascer num canto verde, que tem usufruido de tanto carinho e boa vontade e que irá mudar a minha vida radicalmente.

Dificuldades também tem havido. Umas mais sérias que outras. Da odisseia ridícula com a EDP, finalmente solucionada, à nova odisseia com a Câmara da Arruda para pedir a extensão do ramal de água, passando pela menos que perfeita sinergia com a equipa que monta agora a madeira, continuando nos atrasos inevitáveis que a obra tem sofrido, atirando as oficinas para enchimento de terra para Agosto, e indo até às também inevitáveis derrapagens orçamentais - explicáveis pela preferência de dono e projectistas em pagar mais em vez de comprometer níveis de qualidade. Todas estas questões espero desenvolver em posts futuros. Para já não as temos trazido muito aqui para o blog, talvez para não lhes dar mais importância do que têm.

Porque este projecto continua, para mim, envolto de uma aura positiva, encorajadora, revigorante. Estamos a meio caminho e o meio é sempre difícil. Mas a perseverança e dedicação contínua dos arquitectos estão a ser o impulso necessário para levar este barco a bom porto. Espero que continuem esta viagem connosco.

Quinta-feira, 12 de Julho de 2007

36 – Viga-Sanduíche

Como provavelmente se tem percebido pelo alongar dos silêncios, a montagem da estrutura de madeira tem-se revelado morosa e algo complexa. Ficam prometidos futuros posts sobre as dificuldades e peripécias dos trabalhos com o eucalipto. Por agora, deixam-se imagens da montagem da peça mais emblemática (por estar sujeita ao maior esforço) de todo o sistema, a viga central de 4,20m de vão – uma sanduíche de duas fatias de madeira e uma alma em barra metálica de secção 10x180mm.

Terça-feira, 10 de Julho de 2007

35 - A MEIA MADEIRA

Sábado, 7 de Julho de 2007

34,5 - Talking Heads - Road To Nowhere

34 - UI, ASFALTO!



No seguimento do post 30 – Everything in its right place, a opção sobre a pavimentação da plataforna exterior recaiu mesmo sobre uma massa fria – uma cola betuminosa misturada com brita fina de Alenquer. À última hora ainda estudámos a hipótese Aripaq sugerida pelo nosso colega e amigo Ricardo Espírito Santo, mas diversos constrangimentos técnicos, económicos e de calendário excluíram essa opção.
Os Farias estrearam-se na aplicação desta massa (mais uma vez) sem mácula. O cilindro foi recuperado da sucata, a placa vibratória partiu a correia de transmissão mas mesmo assim fez o serviço, as botas ficaram eternamente pretas e o gasóleo foi o elemento diluidor para o trabalho das ferramentas. Onze toneladas de material que resultaram numa superfície com cinco centímetros de espessura, permeável às águas pluviais em 40 %.


Nota Pessoal 05 - Já não há Herois?


Este meu projecto de construir uma casa tem sido bafejado pela sorte desde o início. Grande parte dessa sorte tem sido produzida pela equipa de arquitectura, e foi através do Francisco, após consultas a dezenas de empresas, que conheci e contratei a Socofirma, mais conhecidos pelos Faria, visto os responsáveis pela firma, o Filipe e o Paulo, serem irmãos. Juntos com o Artur, trabalhador da firma há já muitos anos, foram estes três pares de braços que deram forma segura ao projecto e ser-lhes-ei eternamente agradecido pela forma como o fizeram.
Sedeados em Ourém, durante dois meses levantaram-se às 5 e tal da manhã para se fazerem a uma hora e meia de estrada e estarem - e estavam sempre - às 8h na obra. Trabalhavam então o dia todo e abalavam sempre perto das 20h, ocasionalmente ainda mais tarde, para fazerem mais hora e meia de caminho de regresso. Eu estaria de rastos e impossível de aturar ao fim de 3 dias (e estou a ser generoso). Mas a eles o profissionalismo falou sempre mais alto.
Brio, brio, onde em Portugal se encontra brio? É tão difícil. Mas o brio injectado na construção desta minha casa deixa-me sem palavras. Do vibrar do betão ao refazer de pequenas secções de muro de pedra, tudo foi feito com dedicação e vontade de fazer o melhor possível. Suportaram o cansaço e a distância sempre com um sorriso. O ambiente na obra foi sempre saudável, bem disposto.
O meu erro? Se soubesse então o que sei hoje... O meu erro foi não os contratar para fazer a casa toda do princípio ao fim! Mas quando os contratámos o tempo que tinham disponível era já limitado e os trabalhos de madeira já estavam entregues. Enfim, vários pequenos pormenores fizeram com que não estivesse prevista a sua estadia no projecto até ao fim.
Os trabalhos a que se propuseram estão praticamente terminados. E que bem terminados! Já muito em cima da hora fiz uma tentativa que continuassem mas as suas obrigações profissionais não lhes permitem, com pena deles também, arrisco. Simplesmente não estava previsto e já têm outros serviços em espera.
Agora olho para trás e tenho pena de nas minhas visitas não os ter acarinhado mais, levado umas merendas, uma bebidas. Não o fiz por não saber se os incomodava, querer sempre deixá-los trabalhar à vontade, sem 'pressões'. E por desleixo meu.
Mas quando se depara com esta qualidade de carácter e trabalho é preciso apoiá-lo, encorajá-lo, valorizá-lo. Reconhecê-lo. Espero tê-lo indo feito de algum modo.

Artur, Filipe e Paulo, muito, muitíssimo obrigado por tudo. A segurança que sempre senti por vos ter a trabalhar na obra e a solidez e beleza do trabalho que deixam terá sempre o meu reconhecimento.

No final das obras voltarão para um dia de trabalho, para colocar a betonilha no interior. Será um regresso desejado. O regresso dos 'Herois'.

Quinta-feira, 5 de Julho de 2007

33 - CHEGAM OS AROS DA SERRALHARIA


Quarta-feira, 4 de Julho de 2007

32 – MAIS FOTOS SEM DISCURSO A MEIO DO TERCEIRO DIA DA MADEIRA

Segunda-feira, 2 de Julho de 2007

31 - FOTOS AO FIM DO PRIMEIRO DIA DA MADEIRA


Domingo, 1 de Julho de 2007

30 - Everything in its right place

Nota: Este post é uma reflexão dos arquitectos, paralela à obra. Talvez por ser longa e maçuda, chamámos-lhe “teorias”.
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Os arranjos exteriores estão agora numa fase final de execução. O resultado final, no entanto, não foi originalmente projectado desta forma.

Desde o início concebemos os arranjos exteriores como uma superfície contínua, revestida a um mesmo material que resolvia as três situações de encaixe da casa no terreno: dois muros de contenção e uma plataforma onde o edifício assenta. No início pensámos utilizar as pedras do edifício existente a demolir para realizar esse plano contínuo.

Entretanto abandonou-se a opção da pedra e foram-se testando várias alternativas para resolver um problema técnico de uma forma que fosse interessante “conceptualmente” – já voltaremos a este palavrão. A solução preferida dos arquitectos, era a de realizar essa superfície contínua em asfalto, um material suficientemente plástico que permite a realização de grandes superfícies sem juntas de dilatação mas que garantia, de acordo com as especificações de um produto chamado IRR comercializado pela Asfalto Via, 40% de permeabilidade (uma característica interessante em Reserva Ecológica Natural).
Esta solução seria ainda tecnicamente justificável pelo facto do projecto de contenção licenciado prever uma parede em betão ciclópico (mistura de pedra local e cimento). Esta parede teria um acabamento tosco que justificaria um revestimento qualquer.

A solução construída, em face do que se encontrou na escavação, foi o que está documentado fotograficamente no blogue. São muros em betão armado com um acabamento bastante perfeito. Tão perfeito que não encontramos agora qualquer justificação plausível para os revestir a outro material e que por isso ficarão assim mesmo. A plataforma onde assenta a casa será, em princípio, revestida a asfalto.

As diferenças que esta alteração implicou estão representadas nos esquemas.



A solução inicial era uma superfície contínua revestida a um mesmo material (pedra, relva, asfalto foram algumas das opções consideradas).
A solução construída é um muro de contenção em betão + uma plataforma plana num outro material + um muro de contenção em betão.
Isto é, teremos três elementos a resolver as 3 situações de contacto da construção com o terreno. Everything in its right place.

É aqui que o palavrão “conceptualmente” deve regressar. É que se é evidente que a questão técnica ficou resolvida, aliás, bem resolvida, o “conceito” com que queríamos brincar, em parte, perdeu-se. Este aspecto, sendo mais ou menos irrelevante para a “obra” está no centro, por assim dizer, da arquitectura enquanto disciplina teórica e artística. É também um dos motivos mais frequentes de incompreensão da nossa profissão, provavelmente por frequentemente colidir com as motivações dos outros intervenientes no processo, dos empreiteiros ao dono de obra. O mais difícil em arquitectura parece ser aliás encontrar a “necessidade” adequada para a conceptualização, num limite em que seja compreensível e justificável para todos.

Pensamos que o mais interessante em arquitectura não é resolver problemas, é resolver problemas criticamente. De uma forma que questione as práticas correntes da construção e, se é permitida esta ambição, da sociedade em que vivemos. Isto é, resolver problemas técnicos, que originem problemas de um outro tipo, não-técnicos.

No Plano B tentamos reflectir sobre a importância que a protecção do ambiente ganhou no modo de vida das sociedades industrializadas, que simultaneamente não querem prescindir de elevados níveis de conforto e segurança. No entanto, utilizar materiais naturais na construção não implica necessariamente menores impactos ambientais. Qualquer construção é uma violência. Uma violência menor não deixa de ser uma violência.

Temos tentado utilizar os materiais de construção para este fim “crítico”. Parece-nos que a utilização de betão simplesmente já não permite reflectir sobre nada para além da sua própria materialidade. Daí talvez que os comentários aos muros de betão em posts anteriores sejam relativos à sua beleza “física” (também no sentido pejorativo com que a beleza física, nos humanos, é frequentemente avaliada, como se não houvesse nenhum valor próprio em ser-se belo, mas apenas em ser-se inteligente ou bom).
Isto é, o betão perdeu a capacidade de ser crítico ou ter sentido de humor, sobretudo quando é utilizando “in its right place”. Porque o seu lugar estendeu-se a todo o lugar, num “mundo da betonização padronizada” (conforme um dos comentários ao post 8).

Em resumo, não haverá qualquer dúvida: ali estão muros de contenção, aqui está o sítio para o guarda-sol e para estacionar o carro. Mas já não haverá a hipótese subtil de transformar o que funcionalmente é um muro de contenção num momento de espanto e dúvida sobre a função de uma superfície estranha, num qualquer material improvável.

Pensamos que se perde alguma força e carácter, limitando a resolução de um problema técnico a isso mesmo. O que não tem nada de mal, apenas diminui a possibilidade de uma reflexão para além dos materiais, mas com a utilização dos materiais.
Não passámos a gostar menos do projecto. Nem de betão, que é de facto um material fantástico, uma conquista da inteligência humana. Nem tão pouco à forma contida e tecnicamente irrepreensível com que está a ser utilizado nesta obra. É apenas uma tentativa de esclarecer ... o que é que estamos a tentar dizer.

What is that you tried to say?
What was that you tried to say?
Tried to say... tried to say…
Tried to say… tried to say…

Radiohead "Everything in its right place"

Sexta-feira, 29 de Junho de 2007

29 - A SÉTIMA SEMANA

Ok, ok! Esta semana o blog não esteve muito activo (e já se lêem queixas) mas a obra não parou. Os trabalhos nos arranjos exteriores avançam: valas abertas para passarem tubagens, caixas técnicas de pavimento (rede eléctrica, rede de água, rede de esgotos, residuais, pluviais), valas fechadas, muretes, bancos, etc… e a plataforma a ser recoberta por tout-venant – ‘venha tudo’ mas sobretudo calcário em diversas granulometrias e alguma argila.
Na próxima segunda feira chega a madeira e os carpinteiros. Começam agora a entrar mais materiais naturais. E já andamos há sete semanas nisto!

Sexta-feira, 22 de Junho de 2007

28 - DESCOFRAGEM



Começa a ser difícil encontrar discurso para ilustrar esta fase das betonagens. A descofragem das contenções periféricas pariu este resultado. Que me desculpem os mais ecologistas, mas o betão é mesmo um material fantástico e com uma beleza muito particular.

Quinta-feira, 21 de Junho de 2007

27 - ESCORAR UMA COFRAGEM DE UM LADO APENAS

Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

26 - Second Life - Road to Wonderland



O Plano B foi convidado para o encontro Road to Wonderland - Jovens Arquitectos em Portugal organizado pela Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitectos a decorrer até 9 de Outubro no espaço Passos Manuel no Porto.

O encontro pretende averiguar "as várias dimensões da prática profissional, os principais problemas e aspirações dos arquitectos. O que fazem, quais são os seus problemas, estratégias, percursos, aspirações?".

Para a nossa apresentação (que decorreu no passado dia 11) preparámos uma visualização do que esperamos venha a ser a obra de Arruda daqui para a frente. Aqui ficam algumas dessas imagens à espera da realização. Uma espécie de Second Life, portanto!

Sexta-feira, 15 de Junho de 2007

25 - COFRAGEM

O trabalho de cofragem é uma especialidade complexa que requer saber - ele até há quem só faça disto: os chamados carpinteiros de cofragem .
Na culinária untam-se as formas dos bolos com manteiga, despeja-se a massa e, quando sai do forno, desenforma-se. Na construção é um pouquinho mais complicado. As formas são untadas com óleo e estas têm formas formadas por desenhadores, o betão líquido é tão pesado que desafia a rigidez destes moldes para além do imaginável e a descofragem não se faz após 30 minutos de forno.
No caso dos nossos muros de contenção periférica, o escoramento da cofragem tem de ser extremamente reforçado uma vez que o risco de cedência da estrutura (em muros inclinados com 2,5 metros de altura cofrados de um lado apenas) é elevado.
Esta estranha chuva de Junho atrasou um pouco o avançar dos trabalhos mas o importante é jogar pelo seguro e ter a forma do bolo bem cuidada. Na próxima semana…mais uma bombagem!

Segunda-feira, 11 de Junho de 2007

24 - CONTENÇÃO PERIFÉRICA



Enquanto a laje seca, e a madeira não entra, os trabalhos não param.
No projecto dos arranjos exteriores está previsto um talude de contenção dos terrenos a Nascente da casa (a zona de desaterro). Sabíamos que era imperativo fazer uma intervenção que garantisse a segurança da casa, já que falamos de uma inclinação da ordem dos 70º e de mais de 3 metros de altura. Sabíamos também (um imperativo por nós imposto) que queríamos usar o maior número possível das pedras provenientes da demolição. Sabíamos a imagem final pretendida - uma nova plataforma/talude em superfície contínua onde assenta a construção. Não sabíamos era como o executar.
A sustentação das terras pós-escavações era uma incógnita e as dúvidas da prática da construção eram muitas. Após algum debate... cliente, projectistas e construtores chegaram a um consenso e a uma solução:
Um muro inclinado de betão armado de 20 cm de espessura, cofrado apenas do lado exterior do talude, betonado sobre um muro de perfil trepezoidal em pedra seca, com espessura variável (entre os 40 e os 60 cm).
No passado sábado os nossos homens mostraram 'arte de pedreiro' ao levantarem uma alvenaria de pedra bem bonita. Olhem agora bem para ela pois será a última oportunidade, amanhã a cofragem esconde-a para sempre.

Sexta-feira, 8 de Junho de 2007

23 - TERCEIRA BETONAGEM



E vão três. Em três bombagens de betão chegou-se à almejada laje soleira, na qual assentaremos toda a estrutura de madeira. Não será ainda a última visita dos discípulos da Cimpor já que precisaremos de mais massa bombada para os muros de contenção dos arranjos exteriores, por isso sim, haverá uma Quarta Betonagem!
O betão foi despejado pelas nove da manhã, ao meio-dia a laje estava vibrada e nivelada, às 15 foi talochada e depois, foi sendo regada até às sete da tarde. Nas fotos em cima: a laje talochada e a laje regada; e em baixo: passar à talocha, os negativos na laje por onde passará toda a tubagem, e a rega para uma cura do betão mais lenta (o sol e o calor agora o exigem).

Quarta-feira, 6 de Junho de 2007

22 - DE SEGUNDA PARA TERÇA-FEIRA

Terça-feira, 5 de Junho de 2007

21 - FERRO

Aproxima-se o fim da fase do betão.
Sobre a cama de brita assentou-se uma tela impermeabilizante – tipo Fondaline – e, por cima, placas de isolamento térmico Floormate 200-A de 40 mm de espessura. As paredes das vigas de fundação foram também revestidas de um betuminoso – tipo Flintkote - e de poliestireno extrudido de 30 mm de espessura, com o intuito de minizar o risco de ’pontes térmicas’ interior/exterior.
Monta-se agora o ferro da laje soleira. 1500 Kg de ferro! Valor significativo que, somado aos 1300 Kg já aplicados no restante das fundações, resulta num peso total de quase 3 toneladas de ferro! Jeitoso para uma casa tão pequena...


Nota Pessoal 04 - DOT-ar ou não DOT-ar, eis a questão.

O uso de madeira para estruturas – como é o caso neste obra - é quase sempre sinónimo de tratamento em auto-clave com pelo menos um insecticida e um fungicida. Tal é tido como expressamente necessário para evitar a destruição num curto espaço de tempo da madeira por insectos xilófagos e variados tipos de fungos.
Para mim, este facto representava um problema: escolhi a casa em madeira por gostar do material natural mas se era para viver num ambiente carregado de pesticidas preferia tijolo.
Tentei inteirar-me de possíveis soluções.
Percebi que havia vários gradientes para o tratamento da madeira, dependendo do tipo de uso que ia ter: imersa em água salgada; imersa em água doce; exposta às intempéries e em contacto com o solo; exposta às intempéries; protegida. Infelizmente, os tratamentos disponíveis nas serrações que consultámos não fazia de todo a distinção entre os diversos graus de exposição da madeira, adequando o tratamento. Usa-se um tratamento cokctail agressivo que se adapta a quase todo o tipo de uso. Quando li que não posso queimar a madeira tratada porque emite fumos perigosos achei que se calhar também não queria dormir rodeado desses produtos. A única alternativa apresentada nas serrações é para madeira ainda mais exposta, tratamento denominado CCA que usa arsénico, químico perigosíssimo que se acumula no ambiente e águas subterrâneas.


Tentei então procurar outro tratamento menos problemático, para a saúde e para o ambiente. E encontrei. Pelo menos na net. Trata-se do tratamento de madeira mais recente e mais usado para madeira de interior, não exposta (o meu caso), protegendo de insectos (incluindo térmitas) e fungos. Mais usado na Europa do Norte, América do Norte, Nova Zelândia, nos países que mais pensam nestas questões. É também o tratamento mais seguro para a saúde, visto o químico em questão ser hidrossolúvel e poder ser excretado pelo organismo caso entre em contacto com o mesmo. Já os insecticidas e fungicidas (lembram-se do DDT?) são muitas vezes lipossolúveis, o que significa que acumulam no organismo, com consequências imprevisíveis (se calhar deixava de ser picado por melgas...).
Pelo que percebi, o produto que encontrei referido na net não está registado em Portugal pelas autoridades competentes para ser usado na madeira. E não se adivinha quando essa aprovação seja feita. Infelizmente, isto significa que nenhuma companhia comercializa o dito químico para tratamento da madeira em Portugal.
O resultado inicial foi optar-se pelo uso de madeira de cerne de eucalipto na estrutura, por ser mais resistente a xilófagos (principalmente) e por ser uma madeira de melhor qualidade que o pinho (dura mais tempo nas condições em causa). Mas esta resistência não é absoluta. E quando encontrámos as nossas amigas térmitas à porta, voltei a considerar o uso do tratamento ainda não disponível em Portugal. “Vou buscá-lo a Espanha”, pensei.
O químico em causa chama-se DOT - disodium octaborate tetrahydrate (dissódio octaborato tetrahidratado) e tem a estrutura química Na2B8O13.4H2O . Trata-se de um minério, explorado na Califórnia e Turquia, por exemplo. Tem a forma de um pó branco. Pode também ser usado como fertilizante; é rico em boro, um micro-nutriente muitas vezes necessário em pomares ou mesmo para o crescimento comercial de eucalipto em terrenos xistosos com solos muito pobres.

Investiguei os mais diversos nomes comerciais para este produto para madeira mas não encontrei nenhum por cá. Fiz buscas pelo nome do químico e também não encontrei nenhum registo comercial entre nós. A solução parecia mesmo ir a Espanha. Felizmente a solução foi mais simples, a solução foi Solubor!
O que eu não percebi é que o mesmo químico, da mesma empresa, Borax – subsidiária da Rio Tinto - estava a ser comercializado entre nós como o dito adubo foliar ou para o solo com o nome Solubor (o nome que eu procurava antes era Timbor; esta ajuda preciosa foi-me dada por um técnico da Borax Espanha que contactei). É que, mesmo não sendo um químico previsto para o tratamento de madeira em Portugal, já o é para uso agrícola, inclusivé é um produto permitido, em certas dosagens, em agricultura biológica, visto ser um minério natural (o que não significaria necessariamente ser inócuo).
Na minha inocência, pensei que um químico ou estava autorizado para uso em Portugal ou não estava, que havia uma agência central que registava estes químicos e lhes dava licenças. Que o mesmo químico esteja autorizado para a agricultura mas não para tratar madeira nunca me passou pela cabeça... Felizmente, a solução estava agora à vista.
Após um primeiro revés – a empresa que representa esse produto em Portugal não o tem em estoque e só permite grandes encomendas (1200 Kg), algo que demorou cinco contactos (dois telefonemas e uma mensagem electrónica meus e dois telefonemas deles) e uma semana a descobrir – encontrei uma empresa espanhola que tem uma subsidiária em Portugal e que o distribui também por cá (vindo de lá, algo que descobri num telefonema; Portugal assim não consegue mesmo competir) e que o tem em estoque, a preço razoável (comparação net), o vende ao saco de 25 Kg e o tem em Torres Vedras. Et voilá!
Infelizmente, todas estas dificudades em obter a informação sobre a existência deste tratamento junto das serrações e empresas com auto-clave e em obter o produto, significa que não há provavelmente em Portugal madeira tratada em auto-clave com o mesmo. Isso não impede a sua aplicação, e.g. por pincelagem em obra, mas diminui imenso o nível de uso de um tratamento que, para madeira de interior em ambientes humanos, é mais seguro em termos de saúde e menos problemático ambientalmente, tendo ainda o bonús de dar à madeira alguma resistência ao fogo. Em vez disso, a madeira com o tom verde de tratamentos químicos potentes impera sem que as pessoas conheçam os riscos.
Faço votos que o tratamento com DOT se torne rapidamente aconselhado e disponível! Para mais informação, ver, por exemplo, a página em inglês da wikipédia sobre o
tratamento de madeira. Se alguém conhecer uma boa fonte de informação sobre este assunto, principalmente se for em Português, escreva-a nos comentários!

Domingo, 3 de Junho de 2007

20 - PASSAGEM DA MADEIRA



Quinta-feira passada, a madeira que irá estruturar a casa deu mais um passo rumo ao seu destino final. Foi transportada de Ourém, da serração Madol – onde descansava há três meses depois de serrada - até Sintra, mais propriamente até à carpintaria onde será agora devidamente aparelhada antes de ser movimentada pela última vez até Arruda dos Vinhos. O camião transportador aguentou-se sem queixas com o volume e o peso, que rondou as 12 toneladas (os 5 malotes da fotografia da direita).
Cumpre-se assim o trabalho dos senhores Jacinto (na foto da esquerda) e Carlos – sócios irmãos da Madol. Um especial obrigado e reconhecimento pelo trabalho feito!

Sexta-feira, 1 de Junho de 2007

19 - A CAMA DE BRITA E O POÇO DA ÁREA TÉCNICA

Quarta-feira, 30 de Maio de 2007

18 - SEGUNDA BETONAGEM

Na passada sexta feira, debaixo da chuvada intensa que deu cabo das vinhas de Arruda dos Vinhos, os nossos valentes homens betonaram!
Com isto mais uma vez se confirma o ‘mundo aparte’ do reino do betão. Tudo estava preparado e agendado, e não seria uma tempestadezinha de Primavera a interceder-se num universo regido por leis maiores. Veio a chuva e veio a lama mas primeiro vieram os homens, as máquinas e o betão.

Segunda-feira, 28 de Maio de 2007

17 - ARRANJOS EXTERIORES

Há coisas que se vão definindo à medida que a obra avança, o terreno se revela, os planos das infra-estruturas técnicas se cruzam, as ideias se consubstanciam. A implantação no terreno e os arranjos exteriores só agora tomam a forma final.

Quarta-feira, 23 de Maio de 2007

16 - A CAMINHO DA SEGUNDA BETONAGEM

Sexta-feira, 18 de Maio de 2007

15 – BETONAGEM

O mundo da bombagem de betão é um universo paralelo. Quem o vive por dentro entra numa espécie de paranóia colectiva regida por um factor primordial: o limitado tempo disponível que vai da fabricação do betão até à betonagem.
Abrem-se as Centrais (fábricas que misturam o cimento, os inertes e a água) quando há encomendas suficientes programadas - normalmente abrem todos os dias já que, apesar da crise, o betão tem um pouquito de procura - .
Os camiões-betoneiras enchem-se com o composto e desatam numa correria até aos locais das descargas. Fazem lembrar vespas com aquele tambor cilíndrico a rodar cheio com 5,5 m³ de betão num zum zum frenético!
À sua frente seguem as bombas, que são camiões equipados com guindaste que propulsam o betão! Estes parecem aranhiços com patas laterais que equilibram um braço cuspidor que se estende até aos 40 metros nalguns modelos.
Os homens que operam estes mecanismos parecem feitos da mesma chapa dos veículos que conduzem e comunicam num nível de decibéis equivalente à barulheira palrada pelas suas máquinas. Um cenário dantesco de hidráulica pesada, gasólio, suor, betão fuido, gritos e gestos contundentes!

Os empreiteiros Faria encomendaram, na véspera, 11 m³ à Cimpor e estes responderam durante a manhã: - Hoje à tarde é capaz de dar… preparem-se!
Foi o click, entraram em paranóia colectiva. Ai que eles vêm aí e os esgotos ainda não estão terminados! Stress transbordante até ter tudo pronto!
Pelas 16h00 estavam aliviados por estarem preparados mas preocupados com o não aparecer da bomba. Esta e os dois camiões chegaram três horas depois e, entre as 19h00 e as 20h00, o betão voou para os locais de destino numa explosão de frenesim!
E como a cura do betão não espera, lá ficaram os Farias de volta do ajeitar da ‘massa’ até às 22h00, já à luz de gambiarra… um mundo violento!

14 – ESGOTOS

Aí estão eles bonitinhos e alinhadinhos prontos para ficarem inundados de betão!

13 – O ESTADO DAS COISAS


Fotos na quinta e na sexta-feira do local ‘fixo’ de onde se aprecia a globalidade da coisa.

Quinta-feira, 17 de Maio de 2007

English Guide 01 - A house in Arruda

To widen the access to this blog to all of those out there who are not proficient in the language of Camões or Pessoa, I decided to, every so often, post a brief summary in English of what has been written. I am responsible for any mistakes in the language of Auden. After reading the summary of each post, scroll down to the original one in Portuguese to check the pictures.

01 - License to build
The start of this blog. On the 7Th of March 2007 the local council of Arruda-dos-Vinhos (in English something like rue (Ruta sp.) of wines), 35 km Northeast of Lisbon, Portugal, issued a permit for the reconstruction of a small house in typical vineyard countryside. It was the final step of a 13 month licensing process.

I am the client – Rui Pedro Lérias – and the office of architecture Plano B was responsible for the drawings and planning of this project (posts by Quico (Francisco Freire)).


02 – Technical File
Architecture project and technical direction by Plano B Architecture – http://www.planob.com/
Engineering projects by Focus Group – http://www.focusgroup.com.pt/
Building by Socofirma


03 – The Project
This projects deals with the reconstruction of a small building in ruins in an area classified as green belt. The project uses the same materials of the ruined building (stone, earth and wood) but re-ordered: a wood structure filled with local earth (wattle and daub); the stone coming from the demolition will be used in the foundations and surrounding area.
Otherwise, the architects associated natural materials (wood, earth and cork panels) with industrial ones (concrete, metal, glass and polycarbonate). Drawing: 1-living area; 2-kitchen; 3-bathroom; 4-technical area.


04 – Prototype of a wall section
The architects built a section of the projected wall at a natural scale as a prototype. There is a wood structure (20x10 cm wood columns spaced every 60 cm) with stabilising wood poles forming an x cross. The inside of this structure is filled with earth, giving the wall high thermal inertia. The external side of the wall is covered first with panels of cork agglomerate, 5 Cm thick, for thermal insulation, followed, on top of that, by corrugated polycarbonate sheets. The inside of the wall is covered with wood planks, with a trapezoidal cross section, 5 cm wide, every other 10 cm.


05 – Eucalyptus (Tasmanian blue gum) wood structure
The house wood structure will use eucalyptus wood coming from large trees. There are risks involved with this decision, mainly because of structural instability of eucalyptus wood once dried. We wanted to use wood grown in Portugal and that meant almost exclusively either Tasmanian blue gum (Eucalyptus globulus) or maritime pine (Pinus pinaster). Despite the risks, we chose the blue gum wood over the pine wood because of the need of the later to be treated with fungicide and insecticide. The safest treatment, using DOT (disodium octaborate tetrahydrate,) is unfortunately not available in Portugal and I strongly resisted using stronger treatments, designed for outdoor wood, such as CCA or Tanalith-E. Blue Gum wood is naturally more resistant to fungal decay and insect attacks so we decided to risk its use, taking care, nevertheless, to minimise the risks in the preparation and fixation of the wood.


06 – Concrete foundations
The foundation structure is a common one.


07 – Steel window frames


08 – The first stone

For connecting the house to the water and electrical suppliers, the first day of building was devoted to laying a single 'stone' pre-fabricated in concrete.


Personal Note 01 – At the mercy of the local electrical supplier (and only one in Portugal) EDP
I describe the difficulties of getting the cooperation of the electrical supplier (no competition in Portugal yet, and it shows) in the connecting process. Withholding of information, refusal of the technicians to talk with the customer, refusal of the customer service to put me in touch with the technicians – directly or indirectly - has led to long delays in the process of getting the electricity connected. 3 months have gone and still no connection. Since there is no competition I am not allowed to simply take my business elsewhere.


09 – Outside Wall layers
A simple, elegant drawing showing the different layers of the onion.


10 – Clearing
The clearing of overgrown vegetation was long overdue and gave the land a different, fresh look.


11 – Terex
The next day was demolition day with a Terex bulldozer.


12 – The largest rock of the day
Pretty big, I would say.


Personal Note 02 – The 'clearing'

After a few years of simply encouraging the growth of oak trees (Quercus faginea) and leaving everything else go wild, the anticipation of the clearing of all the overgrown undergrowth vegetation and felling of 5 oaks, that had grown inside the ruins of the house or immediately in front of it and could not be saved, made me a bit anxious. With the cooperation of the builders, we were, nevertheless, able to save quite a few oaks, a Cork oak (Quercus suber) and a maritime pine in the area surrounding the house. Overall, there are now many more oaks growing in the land than when I first bought it 6 years ago.


Personal Note 03 – White ants ...
If you are building a house made of wood, termites are at the bottom of your list of invited guests. They crashed the party anyway, reminding us of how important good building practices are to prevent termite infestations from occurring. More closely related to cockroaches than ants, termites – in this case subterranean ones – keep their ant association due to their social lifestyle.

Quarta-feira, 16 de Maio de 2007

Nota Pessoal 03 - Formiguinha, formiguinha...

Qual é um dos principais receios de alguém que constrói uma casa em madeira?! Vê-la comida por térmitas...

Pois é, o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) ainda não tinha incluído o Concelho da Arruda no seu mapa de distribuição de térmitas em Portugal mas elas aqui estão, a 10 metros da futura instalação da casa.
Formiga branca, alguém lhes chama, mas são mais baratas que formigas (literalmente; em termos evolutivos estão muito próximas das também adoradas baratas domésticas).
Alguém me sabe dizer exactamente que espécie é esta?
Resta-nos defender a casa com boas práticas de construção: madeira sem estar em contacto com o solo; lage de betão contínua e sem fendas; ausência de madeira morta na área em redor da casa.
E, já agora, alguém sabe se em Portugal também existem térmitas da madeira seca, que fazem o ninho dentro da madeira?
E se alguém me conseguir garantir que as térmitas subterrâneas não atacam madeira de eucalipto em boas condições (seca) ficaria bastante feliz.
Note-se no entanto que nada fiz para eliminar a colónia detectada... Se calhar devia? E métodos?

Nota Pessoal 02 - A 'limpeza'

A limpeza da vegetação na área de intervenção era mais que necessária mas não deixei de agonizar em antecipação à mesma.

Nos últimos anos, tinha-me limitado a ir libertando carvalhos das garras sufocadoras de trepadeiras, deixando o restante mais ou menos como estava. Agora o desafio era conseguir libertar o resto sem perder os carvalhos, um sobreiro e um pinheiro-bravo que cresciam naturalmente em redor da área de intervenção (alguns perigosamente perto).
Ao mesmo tempo, de um modo um pouco masoquista, fui também limpando e podando 5 carvalhos que cresciam dentro da ruína da casa e no logradouro mesmo em frente, carvalhos que inevitavelmente tinham de ser abatidos. Mas enquanto não chegava a altura queria que vivessem o mais possível, dessem o melhor habitat possível a aves, insectos, etc.
A aproximação do início das obras deixou-me por isso ansioso. Temia não conseguir que ficassem algumas das árvores em redor da casa e sabia que os carvalhos da casa tinham que ir.
O próprio dia foi difícil. Mas correu melhor do que eu podia querer. Os trabalhadores respeitaram os meus pedidos de "corte à volta desta", "atenção a esse carvalho!" com tolerância e simpatia. E o gosto em ver o terreno limpo também, em sentir que a coisa anda para a frente, contra-balançaram as perdas.
Note-se que tentei minimizar o impacto noutras zonas e semeei/incentivei carvalhos em outras áreas do terreno, sendo que no total agora existem muitos mais do que quando o comprei.
No fim, foi mais fácil do que pensei. É como antecipar a agulha da recolha de sangue a perfurar a pele e entrar na veia. Quase que caio para o lado e tremo que nem varas verdes. Mas, afinal, até não custa assim tanto (se @ analista tiver jeito para a coisa, como foi o caso na limpeza de vegetação!).

PS-Por muito reduzida que seja a área intervencionada, e por mais que se tente minimizar o impacto ele é real: um musaranho morto; vários musaranhos e uma cobra que se escondiam entre as rochas da ruína da casa tiveram que fugir; pelo menos um ninho subterrâneo de abelhão que suspeito ter sido perdido (com obreiras a tentar em vão encontrar a entrada de volta na muito alterada superfície do solo após a limpeza da selva). São alguns dos impactos visíveis, muitos mais haverá. Inevitáveis e aceites. Mas reais.

Sábado, 12 de Maio de 2007

12 - O CAMINHO DA MAIOR PEDRA DO DIA

11 - TEREX

TEREX é uma marca americana concorrente da CATERPILLAR. Dizem que é uma máquina que dura 12 mil horas de trabalho. Hoje terá consumido 0,001 % da sua esperança de vida útil – 12 horas! Demoliu de manhã e escavou à tarde. E num ápice removeu as pedras que alguém construiu em 12 mil horas e a terra que a Natureza assentou em 12 mil anos.


Sexta-feira, 11 de Maio de 2007

10 – LIMPEZA

Foi uma limpeza, tal como ir ao barbeiro depois de 10 anos de eremitismo! Mas atenção que estes baetas aplicaram um corte cuidado na cabeleira. Um toque ali, máquina zero acolá, um sobreiro preservado, uns carvalhos para crescer.
Hoje, o quadro ficou bonito, amanhã, quando entrar em acção a artilharia pesada o cenário não será o mesmo!

Segunda-feira, 7 de Maio de 2007

09 - REVESTIMENTOS EXTERIORES

Enquanto as novidades da obra não aparecem... mais uns desenhos. A pele exterior do edifício é uma sucessão de camadas, distintas nos materiais e nas respectivas funções.

Quarta-feira, 2 de Maio de 2007

Nota Pessoal 01 - À mercê da EDP

(Texto alterado para aumentar a sua clareza, ofuscada antes pela minha frustração com a EDP.)

Enquanto cliente, externo à equipa técnica, resolvi classificar as minhas intervenções neste blog como Notas Pessoais. A minha primeira Nota Pessoal relata a frustração de alguém que tem que lutar contra a inércia desse gigante monopolista chamado EDP.

Ainda antes de levantar a licença para construir na Camara Municipal da Arruda-dos-Vinhos, fiz junto da EDP o pedido de ligação à rede eléctrica. Já lá vão dois meses. Não fazia ideia da batalha que teria que travar, e ainda travo, para conseguir ser cliente da EDP.

Ao pedir a ligação à rede, entreguei todos os documentos pedidos, incluindo planta de localização do local e planta de localização do ponto de entrega de electricidade. De nada serviu.

Os técnicos obviamente não olham para os documentos e repetidamente me telefonam para saber 'onde é aquilo'. E a EDP, antes de se dignar a apresentar um orçamento do custo da ligação ou de sequer informar se a ligação subterrânea é possível (muitas vezes, por razões técnicas, não o é), exige que no terreno tudo esteja preparado para fazer a ligação à rede, neste caso de modo subterrâneo que tem algumas diferenças à ligação mais comum de modo aéreo. A possibilidade de se pedir um orçamento comparativo entre ligação aérea e subterrânea ou mista também não parece existir.

Mas as dificuldades e a prepotência de quem não tem que competir por clientes não se fica por aí.

O equipamento necessário no terreno para se fazer a ligação não é igual – sabe-se lá porquê – em todo o lado, varia de zona para zona. Ora, a EDP limita-se a informar o cliente que falta equipamento no terreno mas recusa-se, terminantemente, a enumerar que equipamento falta e/ou a permitir o contacto com os técnicos no terreno para esclarecer estas dúvidas.

Ao reles mortal resta ir pagando sucessivas visitas do electricista para ir mudando equipamento e esperar que desta vez tenha acertado. Ou, quando a frustração cresce exponencialmente, como foi o meu caso após a quarta visita técnica, resta ir a uma loja EDP, gritar, gritar muito, pedir o livro de reclamação, etc., para ao fim de 45 minutos nos dizerem que afinal, num acto de magia, está ali tudo no computador - nunca nos relatórios que enviam para casa para o cliente. Mas como gato escaldado de água fria tem medo, desta vez, após as últimas alterações feitas pelo electricista, deixei uma simpática missiva – ver foto – aos técnicos da EDP para terem a amabilidade de me informarem do que falta/está errado. Mas se o meu número serve para saber 'onde é aquilo', parece não servir para dar informações.

Finalmente, e se a ligação subterrânea não for, tecnicamente, possível ou eu a considerar excessivamente cara? Então aí resta começar tudo de novo, mudar a instalação de recepção e ir desperdiçando mais tempo de obra e energia.

E assim vai o mercado energético em Portugal. Resta-me respirar fundo, investir em energias renováveis no futuro muito próximo e esperar que, como aconteceu com a PT, eu possa finalmente mudar de fornecedor, provavelmente para uma competidor credível espanhol.

Quarta-feira, 11 de Abril de 2007

08 - A PRIMEIRA PEDRA

O primeiro dia de obra foi literalmente ocupado a assentar uma pedra, uma pedra artificial. Instalou-se um murete em betão contendo as infra-estruturas técnicas necessárias para receber as ligações às redes públicas de água e electricidade e respectivos contadores – a caixa do correio também lá encontrou o seu lugar.
A peça foi pré-fabricada em Ourém nos estaleiros dos empreiteiros irmãos Faria e foi pousada ‘com souplesse’ na entrada do terreno.

Domingo, 8 de Abril de 2007

07 - VÃOS COM CAIXILHARIA EM AÇO

Para fazer funcionar os grandes panos de vidro procurámos leveza e autonomia física da ‘instabilidade’ da estrutura de madeira e terra. Queremos que esta última mexa à sua vontade e não incomode o trabalhar das portas e janelas. Neste sentido, optámos por aros e caixilhos custom-made executados na serralharia Maia em Fátima. Com o acompanhamento técnico do seu responsável, sr. Fausto Neves, desenhámos obsessivamente uma caixilharia híbrida – uma amálgama de soluções de indústria bruta, vedantes da indústria automóvel, ferragens importadas (umas da China via Gondomar, outras mais fina-flor vindas directamente da Alemanha) em busca de um trinómio elegância/funcionalidade/economia.

Sexta-feira, 6 de Abril de 2007

06 - FUNDAÇÕES EM BETÃO

Sapatas, vigas de fundação, laje maciça, geodrenos, membranas drenantes, isolamentos, pontes térmicas... uma solução convencional.

Quarta-feira, 4 de Abril de 2007

05 - ESTRUTURA DE MADEIRA EM EUCALIPTO

Ora aqui está uma decisão arriscada - optar pelo Eucalipto como estrutura das paredes e cobertura. Tomámo-la após vários meses de ponderação e pela seguinte ordem de razões: por ser uma espécie existente em Portugal e pela sua dureza dispensar a aplicação de produtos anti-fungicos/xilófagos.
A prerrogativa de ser uma madeira nacional esteve presente desde o início (afastámos as soluções de madeira tropical e, apesar de estudadas, o mesmo aconteceu com as madeiras nórdicas). Tudo apontava para o Pinho nacional portanto - uma solução relativamente corrente mas que a precaução aconselha o seu impregnamento com um produto imunizador em autoclave. E foi este o busílis da questão. Os produtos disponíveis em Portugal neste momento são apenas dois: o CCA (um preservativo tóxico agora apenas utilizado em madeira no exterior) e o Tanalith-E (um tratamento menos agressivo muito utilizado nos parques infantis por exemplo). O problema é que nenhum destes líquidos é aconselhado para madeiras aplicadas no interior. Para este fim, o tratamento actualmente considerado mais benigno (em países como os EUA, o Canadá, a França ou a Alemanha) é à base de Borato de Sódio. Ainda tentámos introduzir esta aplicação em Portugal mas... em vão.
A hipótese do Eucalipto (uma espécie com tradição em Portugal nas estruturas de telhado mas com conhecidas patologias de fendilhamento e empeno) foi sugerida pela Serração Madol de Ourém, uma das poucas serrações de madeira que se disponibiliza a cortar falcas ‘à medida do cliente’. Em stock têm eucaliptos idosos de cerne alargado que podem produzir as peças que necessitamos. Precauções foram tomadas quanto às técnicas de corte, secagem e aparelhamento para que a instabilidade própria do Eucalipto seja ‘controlada’ e assim se minimizem os riscos... mas que os há, há!

Terça-feira, 3 de Abril de 2007

04 - SECÇÃO DE PAREDE - PROTÓTIPO

Como teste, construímos uma secção da parede à escala real. O seu núcleo é composto pela estrutura de madeira (pilares de secção 20x10cm espaçados entre si 60 cm e respectivos contraventamentos de secção 10x10cm) e pelo enchimento dos espaços interiores sobrantes com terra – um conjunto maciço (tabique) de elevada inércia térmica.
Este composto é revestido pelo exterior e pelo interior com materiais distintos:
Exterior - placas de aglomerado de cortiça com 5 cm de espessura que cumprem a função de isolamento térmico somadas de chapas de policarbonato ondulado – a camada de sacrifício contra as intempéries.
Interior - ripado de secção trapezoidal em madeira de pinho que ‘sobe na parede’ à medida do enchimento com terra – superfície algo texturada de acabamento misto (terra/madeira) que, uma vez terminada e seca, será uniformizada por uma tinta de água branca.

Segunda-feira, 2 de Abril de 2007

03 - PROJECTO

O projecto é uma reconstrução de um edifício em ruínas. O terreno encontra-se em reserva ecológica o que torna esta a única intervenção possível. Todavia, propusemos uma reconstrução utilizando os mesmos materiais do edifício existente (pedra, terra e madeira) mas re-ordenados. Prevê-se assim uma estrutura porticada em madeira preenchida com terra local (Tabique ou Wattle and Daub). A pedra resultante das demolições é usada nas fundações e na definição da plataforma exterior onde o edifício assenta.
A implantação e o número de pisos não são alterados.
No interior, a Norte, localiza-se um único compartimento onde se concentram as principais infra-estruturas técnicas.
Como é nosso predicado, na restante definição do projecto, tentamos associar materiais naturais (madeira, terra e cortiça) com materiais industriais (betão, metal, vidro e policarbonato) na procura de um resultado simbiótico e criativo.

Domingo, 1 de Abril de 2007

02 - FICHA TÉCNICA

projecto de arquitectura e direcção técnica: PLANO B ARQUITECTURA - www.planob.com
projectos das especialidades: FOCUS GROUP - www.focusgroup.com.pt
construção civil: SOCOFIRMA

Sábado, 31 de Março de 2007

01 - LICENÇA PARA CONSTRUIR

01 - License to build

No passado dia 7 de Março foi levantada a licença de construção deste nosso projecto. Foi o término de um processo de legalização que durou treze meses junto da Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos. Informação Prévia, Licenciamento da Arquitectura e, depois, das Especialidades foram fases ultrapassadas com o sucesso que a aprovação camarária lhes confere.
Agora, formalmente legitimados, encaremos os próximos seis meses - o prazo previsto para a conclusão das obras - com todo o misto de aliciante e exaspero que o acto de construir nos provoca!
Em conjunto com o nosso cliente Pedro Lérias, arrancamos hoje o blog/diário de obra http://planob-arruda.blogspot.com

On the 7Th of March 2007 the local council of Arruda-dos-Vinhos (in English something like rue (Ruta sp.) of wines), 35 km Northeast of Lisbon, Portugal, issued a permit for the reconstruction of a small house in typical vineyard countryside. It was the final step of a 13 month licensing process. Now we face he next six months - the predicted duration of the building process - with a mixture of the excitment and tension that the act of building makes us feel. Together with our client, Rui Pedro Lérias, we start today the blog/diary of the construction.