quarta-feira, 2 de maio de 2007

Nota Pessoal 01 - À mercê da EDP

(Texto alterado para aumentar a sua clareza, ofuscada antes pela minha frustração com a EDP.)

Enquanto cliente, externo à equipa técnica, resolvi classificar as minhas intervenções neste blog como Notas Pessoais. A minha primeira Nota Pessoal relata a frustração de alguém que tem que lutar contra a inércia desse gigante monopolista chamado EDP.

Ainda antes de levantar a licença para construir na Camara Municipal da Arruda-dos-Vinhos, fiz junto da EDP o pedido de ligação à rede eléctrica. Já lá vão dois meses. Não fazia ideia da batalha que teria que travar, e ainda travo, para conseguir ser cliente da EDP.

Ao pedir a ligação à rede, entreguei todos os documentos pedidos, incluindo planta de localização do local e planta de localização do ponto de entrega de electricidade. De nada serviu.

Os técnicos obviamente não olham para os documentos e repetidamente me telefonam para saber 'onde é aquilo'. E a EDP, antes de se dignar a apresentar um orçamento do custo da ligação ou de sequer informar se a ligação subterrânea é possível (muitas vezes, por razões técnicas, não o é), exige que no terreno tudo esteja preparado para fazer a ligação à rede, neste caso de modo subterrâneo que tem algumas diferenças à ligação mais comum de modo aéreo. A possibilidade de se pedir um orçamento comparativo entre ligação aérea e subterrânea ou mista também não parece existir.

Mas as dificuldades e a prepotência de quem não tem que competir por clientes não se fica por aí.

O equipamento necessário no terreno para se fazer a ligação não é igual – sabe-se lá porquê – em todo o lado, varia de zona para zona. Ora, a EDP limita-se a informar o cliente que falta equipamento no terreno mas recusa-se, terminantemente, a enumerar que equipamento falta e/ou a permitir o contacto com os técnicos no terreno para esclarecer estas dúvidas.

Ao reles mortal resta ir pagando sucessivas visitas do electricista para ir mudando equipamento e esperar que desta vez tenha acertado. Ou, quando a frustração cresce exponencialmente, como foi o meu caso após a quarta visita técnica, resta ir a uma loja EDP, gritar, gritar muito, pedir o livro de reclamação, etc., para ao fim de 45 minutos nos dizerem que afinal, num acto de magia, está ali tudo no computador - nunca nos relatórios que enviam para casa para o cliente. Mas como gato escaldado de água fria tem medo, desta vez, após as últimas alterações feitas pelo electricista, deixei uma simpática missiva – ver foto – aos técnicos da EDP para terem a amabilidade de me informarem do que falta/está errado. Mas se o meu número serve para saber 'onde é aquilo', parece não servir para dar informações.

Finalmente, e se a ligação subterrânea não for, tecnicamente, possível ou eu a considerar excessivamente cara? Então aí resta começar tudo de novo, mudar a instalação de recepção e ir desperdiçando mais tempo de obra e energia.

E assim vai o mercado energético em Portugal. Resta-me respirar fundo, investir em energias renováveis no futuro muito próximo e esperar que, como aconteceu com a PT, eu possa finalmente mudar de fornecedor, provavelmente para uma competidor credível espanhol.

9 comentários:

Anónimo disse...

O projecto está espectacular e muito bem conseguido. Parabéns ao dono e aos projectistas.
Essa história da EDP mete nojo. Sugiro que envies cópia do relato ao provedor do cliente (deve existir um).
Good luck.
Marco

MiguelGomes disse...

Pois... Os locais mudam mas as histórias (EDP) são iguais em todo o lado...

Fica bem e parabéns pelo projecto,
Miguel

Rui Pedro Lérias disse...

Já estamos a 14 de Maio e até agora nem um piu. A folha que lá deixei a 24 de Abril ainda lá está. E fiquei a saber por um vizinho perto que teve de esperar 9 meses para concluir o seu processo de ligação à rede...

Estou mesmo à mercê...

Pedro

João Castanhinha disse...

Viva Pedro,
Só queria deixar um pequeno relato de uma estória que se passou comigo em èvora onde dirigia uma obra dentro do centro histórico.
Então é assim:
1. Foi aprovado junto da C.M.E no decorrer do licenciamento de loteamento urbano 1 PT para alimentação das moradias (17).
2.Íncio de Obra e ao iniciar a construção do espaço para albergar o PT os técnicos da EDP informaram que deveria ser outra a localização pois aquela prevista (depois de aprovado por eles) ficava muito longe do sitio onde queriam fazer a futura ligação.
3. Mudá-mos de sitio e propusémo-nos (feito ìdilico) a colocar um PT pré-fabricado subterrâneo(quase 2x€)por forma a evitar o impacto junto à muralha Medieval.
3. Não contentes, pediram para reestruturarmos todo o projecto de rede eléctrica do loteamento visto ter sido projectado segundo normas que foram alteradas em 2003 e a entregar o projecto de telas finais.
4.Enviaram um pedido de pagamento (uma fortuna que nem me atrevo a declarar) da futura ligação do PT à rede.
5. ainda hj esperamos por essa ligação...

E não vale a pena contar os pormenores, de salientar apenas que todo o material, ligações, muros técnicos,mão de obra etc...é da conta do promotor e tudo é entregue para exploração e lucro deles sem o minimo investimento.

E assim vão as glórias de Portugal.

joão
P.S. Os meus parabens por tão distinto projecto.

Ana T disse...

Só hoje descobri este blog e estou fascinada.

Muito e muito obrigada.

Em relação aos problemas com essa empresa (e outras semelhantes com exclusividade no fornecimento de serviços básicos) nem comento.

É por isso que pretendo nem sequer contar com esses cavalheiros.

Nunca pensou na hipótese das energias alternativas (fotovoltaica e eólica, por exemplo)? Se sim, porque não aplicou?

Obrigada uma vez mais pelo blog

Ana T

Rui Pedro Lérias disse...

Olá Ana,
Muito obrigado pela simpática mensagem.
A razao principal para nao investir imediatamente nos renováveis foi o preco. Será algo a pensar num futuro muito proximo, mas como ainda nao estou la de forma permanente o investimento nao se justifica. Ainda.
Mas a ideia é, sem dúvida, avancar na producao propria.
Espero que o blog continue a ser do seu agrado.
Pedro

AnaT disse...

Do meu agrado, Pedro?
Fiquei tão fascinada que estive cerca de 4 horas seguidas a ler a sua "aventura". Só tenho pena de não ter descoberto o blog a tempo de participar nos workshops das paredes.
Além disso, a vossa escolha do eucalipto para a estrutura (realmente, que pena ter de cobrir uma obra de arte como aquela...) vem de encontro ao que eu já pensava sobre o uso da madeira para construção em Portugal. Sempre me interroguei sobre o uso e abuso das tropicais e nórdicas e do seu comportamento no nosso clima.
Obrigada uma vez mais.
Este blog e o vosso trabalho foi uma inspiração e uma verdadeira aula prática sobre a construção (apesar de alguns "revezes", tem, no fundo, de considerar que teve mesmo muita sorte nos profissionais que conseguiu reunir).

Que a venha a habitar em pleno o mais cedo possível e que ainda mais cedo possível venha a um chuto no traseiro da omnipotente EDP :)
Cumprimentos
AnaT

Rui Pedro Lérias disse...

Muito Obrigado pela sua calorosa mensagem, Ana, e continuado encorajamento!

Espero, de facto, vir a habitar a casa brevemente. Quanto ao chuto no traseiro da EDP, ando a afiar as chuteiras! :-)

Se ainda lhe apetecer sujar as mãos com terra e conhecer a equipa que projectou a casa, o gabinete de arquitectura PlanoB está a organizar durante o mês de Setembro, ao final de semana, umas oficinas de trabalho num projecto na Benedita, para os lados de Alcobaça. Dê uma olhada em http://planob-barafunda.blogspot.com/

Se tiver disponibilidade e vontade participe nos trabalhos!

Cumprimentos,

Pedro

Ana Teresa disse...

Olá Pedro.

Vontade não me falta. Vamos lá a ver se encontro mais algum voluntário motorizado que queira alinhar. O único problema é que trabalho de noite e o mais provável é que não consiga aguentar o dia todo. A ver vamos. Talvez até breve.

Ana Teresa