sexta-feira, 13 de julho de 2007

Nota Pessoal 06 - Dois meses e um dia

Parece mentira mas foi apenas há dois meses e um dia que uma tosquia cuidada iniciava as obras nesta minha casa no Concelho da Arruda-dos-Vinhos - ver '10 - Limpeza' de 11 de Maio. Passaram nove semanas, sessenta e quatro dias de labuta para chegar ao estádio avançado em que nos encontramos. Mas a obra habituou-nos a uma velocidade de desenvolvimento tal que as duas últimas semanas, dedicadas à estrutura em madeira, com trabalhos mais complexos - mesmo que não mais difíceis - e com um material - madeira de cerne de eucalipto - mais imprevisível, nos deixam expectantes, como que a perguntar: então isso não anda?!

Nos dois meses que até agora passaram tenho percorrido um mundo inteiro de emoções; sinto-me incrédulo, ansioso, orgulhoso, calmo, feliz, assustado, seguro. Felizmente, as flutuações têm sido ténues e a sensação que prevalece indiscutivelmente positiva.

Este blog tem sido uma parte inseparável de todo este processo. Dou comigo a esperar inquieto pelo próximo post - e cuide-se o Francisco quando este demora! - e a examinar o número de visitantes. Fico satisfeito que nem um miúdo a quem dizem que fez um desenho bonito quando deixam um pequeno comentário, seja de que tipo for. Mas esta exposição pública não tem agravado ansiedades, tem apenas sido uma forma de as canalizar, e penso que ao fazê-lo me tem ajudado na forma como lido, dia a dia, com esta minha casa nova, a nascer num canto verde, que tem usufruido de tanto carinho e boa vontade e que irá mudar a minha vida radicalmente.

Dificuldades também tem havido. Umas mais sérias que outras. Da odisseia ridícula com a EDP, finalmente solucionada, à nova odisseia com a Câmara da Arruda para pedir a extensão do ramal de água, passando pela menos que perfeita sinergia com a equipa que monta agora a madeira, continuando nos atrasos inevitáveis que a obra tem sofrido, atirando as oficinas para enchimento de terra para Agosto, e indo até às também inevitáveis derrapagens orçamentais - explicáveis pela preferência de dono e projectistas em pagar mais em vez de comprometer níveis de qualidade. Todas estas questões espero desenvolver em posts futuros. Para já não as temos trazido muito aqui para o blog, talvez para não lhes dar mais importância do que têm.

Porque este projecto continua, para mim, envolto de uma aura positiva, encorajadora, revigorante. Estamos a meio caminho e o meio é sempre difícil. Mas a perseverança e dedicação contínua dos arquitectos estão a ser o impulso necessário para levar este barco a bom porto. Espero que continuem esta viagem connosco.

7 comentários:

Mosca disse...

Ó miúdo dos desenhos bem-feitinhos: o blog está muito fixe e a casa está a ficar um mimo! Mas dá folga ao Francisco. Imagino que ele esteja o dia todo na obra, chegue a casa tal pedreiro ao pôr de um sol estival, passe depois uma hora em telefonemas de responsabilidade e de seguida outra a postar fotos... (Eu que sou mera mosca não sei o que faria se fosse dele companheira.)
E continuação de bons ventos em Arruda!

raquel disse...

Eu cá estarei a acompanhar a viagem até ao fim... :)

Uma casa construída assim, já tem uma bela história para contar.

Os mais simples momentos nela hão-de ser grandes momentos! ;)

Rui Pedro Lérias disse...

Ó mosca, isso é para mim ou para o Eduardo?! O Eduardo é que faz uns desenhos bonititos. Mas sou eu que ando a escravizar um pouco o Francisco.

Ontem houve um episódio revelador sobre isto. Fui pagar umas placas metálicas que o Francisco tinha comprado no Sobral de Monte Agraço:
- Boa tarde, vinha pagar uma encomenda feita pelo Arquitecto Francisco Freire, uma placas metálicas.
- Aquele senhor era arquitecto? Veja lá, eu pensei que ele trabalhava nas obras! A maneira como ele estava vestido, enfim, ele não disse nada.
- Pois é, ele é discreto, e anda a trabalhar na obra também.
- A sério? Bem isso via-se, mas assim nunca adivinharia que era arquitecto.

Imagino que a companheira me quisesse estrafegar, se me conseguisse apanhar com os seus três pares de patas e dois de asas! Para não falar naqueles assustadores olhos compostos...

raquel disse...

Eu chamar-lhe-ia arquitecto-pedagogo... Que faça escola!

Mosca esclarecendo disse...

Era mesmo contigo Pedro. Queria referir-me ao que escreveste contando como te sentes satisfeito como um miúdo que acabou de fazer um desenho bonito.

Mas já agora digo mais. Aos meus ouvidos ultra-sónicos de mosca já chegou o pensamento do Sr.Arquitecto sobre sua “sensação” de que nas lojas onde vai comprar pregos pensam que é pedreiro.
E, perante este relato, suspiro de novo um lamento: pobre desgraçada a sua companheira. Investiu num doutor licenciado que de repente se transformou num pedreiro. Isto no reino dos insectos seria como uma princesa mosca escolher um moscardo e ao beijo do (des)encanto sair-lhe um pulgão... (ou vice-versa, porque não!)

Quico (Francisco Freire) disse...

Isto de passar por trolha tem, para o caso, vantagens económicas. Evitam-se as inflações repentinas! Pedro, só devias ter falado no sr. arquitecto depois de pagar ;-)

borboleta que já foi bicho da seda disse...

Cara mosca:

Não no reino dos insectos onde as operações metamorfósicas são mais comezinhas, mas contam que, no reino dos humanos (?), uma moçoila beijando um sapo transformou-o num princípe... pelo que eu diria que, se resultou uma vez, por que não há-de funcionar uma segunda?...

Assim sendo, a tão falada companheira do pedreiro que é arquitecto ou que sendo se faz passar por trolha para poupar uns cêntimos, podia tentar dar-lhe umas beijocas para ver se o tal moço se transforma... Mas que não desista à primeira!

Enfim é só uma sugestão... que garanto não foi concertada com o dito carpinteiro. :P