segunda-feira, 11 de junho de 2007

24 - CONTENÇÃO PERIFÉRICA



Enquanto a laje seca, e a madeira não entra, os trabalhos não param.
No projecto dos arranjos exteriores está previsto um talude de contenção dos terrenos a Nascente da casa (a zona de desaterro). Sabíamos que era imperativo fazer uma intervenção que garantisse a segurança da casa, já que falamos de uma inclinação da ordem dos 70º e de mais de 3 metros de altura. Sabíamos também (um imperativo por nós imposto) que queríamos usar o maior número possível das pedras provenientes da demolição. Sabíamos a imagem final pretendida - uma nova plataforma/talude em superfície contínua onde assenta a construção. Não sabíamos era como o executar.
A sustentação das terras pós-escavações era uma incógnita e as dúvidas da prática da construção eram muitas. Após algum debate... cliente, projectistas e construtores chegaram a um consenso e a uma solução:
Um muro inclinado de betão armado de 20 cm de espessura, cofrado apenas do lado exterior do talude, betonado sobre um muro de perfil trepezoidal em pedra seca, com espessura variável (entre os 40 e os 60 cm).
No passado sábado os nossos homens mostraram 'arte de pedreiro' ao levantarem uma alvenaria de pedra bem bonita. Olhem agora bem para ela pois será a última oportunidade, amanhã a cofragem esconde-a para sempre.

6 comentários:

Rui Pedro Lérias disse...

Que bonito está agora o muro de contenção! Não fazem betão que seque incolor, tipo cola de madeira?! Um resinoso qualquer?!
Fica o registo fotográfico. Acho que não vou a tempo de ver a pedra exposta, com muita pena minha. Mas sei que está lá.
E com tanta pedra da obra aproveitada lá vou acariciando o meu alter-ego ambiental, nas últimas fases muito recalcado por ferro e betão, parte essencial da obra e pedido por mim mas cujo impacto não deixa de me atormentar ligeiramente.
Que a pedra funcione como a confissão católica! E o que a pedra não conseguir lavar, a madeira, cortiça e terra o venha a fazer...

Raquel disse...

Vou ter de pedir que me troquem isto por miúdos... Mas sempre percebi que a pedra não se verá e também eu acho que é pena...

Rui Pedro Lérias disse...

Olá Raquel, por vezes a escrita sai-me numa tangente, tipo 'stream of consciousness' do James Joyce et al., mas sem a qualidade estilística. Ou seja, derivo. Muito.
Eu queria dizer que era bom ver o uso da pedra das escavações nos muros de contenção. Isso significa que será necessário menos betão para o encher e que a pedra é a do local: diminui-se o impacto ambiental (já grandito). Estas medidas de menor impacto acabam por diluir o impacto total da obra, daí a minha comparação entre a pedra (e madeira, e cortiça) e a confissão: a confissão apaga os pecados; as medidas de menor impacto não apagam o impacto do betão armado mas diluiem-no. Era bom que apagassem tudo, mas isso não é possível, com pena minha.

raquel disse...

Hm... Está-se então a construir uma espécie de «muro das lamentações»?... :P

Quico (Francisco Freire) disse...

:-D Mais uma tirada fantástica Raquel, e outra vez com a língua de fora! Andas mesmo espirituosa!

Pedro: Na pior da hipóteses ficará feio por fora e bonito por dentro ;-)

Jota disse...

Eu sempre ouvi dizer: quem feio ama, sabe que é bonito por dentro!